Opção à falta de remédio nos postos
Brasília - Promessa de campanha de Lula, o Farmácia Popular era uma idéia do marqueteiro Duda Mendonça, que o presidente sempre fez questão de defender. Para muitos, até com teimosia. O desempenho abaixo do desejado pode ser visto atualmente: a poucos meses do fim de governo, existem em funcionamento no País apenas 129 farmácias populares.
''Há uma distorção básica: remédios produzidos em laboratórios públicos não poderiam ser vendidos'', afirma Vera Valente. Mas há outros problemas. Pequenos municípios não têm interesse em montar tais farmácias, principalmente porque têm de arcar com salário dos funcionários. ''Não há nada a ganhar, sobretudo com os limites de responsabilidade fiscal'', observa o sanitarista Gastão Wagner.
O receio maior de especialistas, no entanto, começa a se concretizar. As farmácias populares da primeira fase começaram a ser o melhor recurso para a população que usa o serviço público de saúde e não encontra gratuitamente os medicamentos. Ao perceber que não há remédio no posto, eles acabam recorrendo à farmácia popular.
''Dos males, o menor'', resumiu o autônomo Camilo Soares de Melo. Aos 39 anos, de uma família de hipertensos, Camilo conta que primeiro vai ao posto de saúde. ''Mas a coisa mais difícil é ter remédio lá, seja para mim, seja para minha mãe'', disse.
Há casos em que o próprio médico do posto de saúde recomenda que o paciente vá direto para a farmácia popular. É o caso do aposentado José Maria Ribeiro Lima. ''É um direito o remédio de graça, sabemos disso. Mas fico feliz com a mudança. Pelo menos agora não interrompo o tratamento. E nem é tão caro assim'', completa Lima, que comprava remédios também para hipertensão.
''A Farmácia Popular traz um perigo grandioso: ele gera uma condescendência da população, que passa a achar normal pagar por algo que deveria ter gratuitamente'', afirma Wagner. (AE)





