Ônus da crise terá que ser dividido
O professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vanderlei Sereia, entende que está havendo uma queda-de-braço entre o empresariado, sindicalistas e governo para saber quem vai arcar com o ônus da crise. Neste jogo de empurra, o estudioso pondera que todos estão querendo ter lucro neste momento difícil da economia ou então pretendendo perder menos. Reduzir jornada de trabalho e salário são hipóteses descartadas pelo economista. ''O certo é a empresa demitir e o governo tratar de criar políticas públicas para ajudar os desempregados'', declara.
Ele entende que empresários e trabalhdores devem econtrar na negociação saídas para este momento de crise. Sereia pondera que o governo só deve entrar na questão para regulamentar o que foi acordado entre empresários e empregados. ''O governo não deve beneficiar este ou aquele setor empresarial. Os empresários necessitam encontrar suas próprias saídas para crise, assim como trabalhadores e governo'', diz.
Segundo ele, há um ambiente de desconfiança entre estas forças da sociedade. ''Empresários, governo e sindicalistas estão adotando a política do salve-se quem puder'', esclarece. Para Sereia, reduzir salário implica em reduzir o consumo e, por conseguinte, comprometer ainda mais toda cadeia produtiva do país.
Sereia avalia que este não é o momento para avaliar queda nas vendas ou na produção. Para o estudioso, como sempre acontece no primeiro trimestre de cada ano, pessoas viajam, tiram férias, pagam impostos, compram material escolar. ''O consumo de bens duráveis, por exemplo, não é forte nesta época. O país só começa a funcionar em março'', lembra.(E.P.F.)





