A Organização das Nações Unidas lançou uma associação sem precedentes para instaurar um código de boa conduta das empresas multinacionais nos países em desenvolvimento. É preciso ‘‘se assegurar de que o mercado mundial se ligue em valores e práticas amplamente compartilhados, que reflitam as necessidades sociais globais, e que a globalização beneficie todos no mundo inteiro’’, disse o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.
Annan abriu uma conferência que reúne representantes de cerca de 50 empresas multinacionais, sindicatos e da sociedade civil, e que integram o que chamou de uma ‘‘nova coalizão mundial’’. Ao recordar os protestos de Seattle (noroeste dos Estados Unidos), durante a conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em dezembro do ano passado, o secretário-geral declarou que era necessário evitar ‘‘os fracassos da globalização’’, que fazem com que a população se volte contra ela.
Ao aderir a esta iniciativa da ONU, as grandes empresas se comprometem a colocar em prática princípios fundamentais do direito do trabalho, dos direitos humanos e da proteção do meio ambiente. Estas empresas incluem, por exemplo, a DaimlerChrysler, Unilever, Deutsche Bank, BPAmoco, Shell, Ericsson e Nike.
Uma coalização internacional de grupos de defesa dos direitos humanos e do meio ambiente criticou fortemente, porém, esta associação que ‘‘ameaça a missão e a integridade da ONU’’. A coalização, que compreende principalmente o Greenpeace Internacional, denuncia, em particular, a participação de empresas como Nike, Shell ou Rio Tinto, acusadas de violar os direitos humanos e dos trabalhadores.
Em uma carta dirigida ontem a Annan, a coalizão tenta persuadir o secretário-geral de renunciar a este projeto, que permite que ‘‘empresas já questionadas no passado limpem seu nome com a bandeira das Nações Unidas’’.

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