Curitiba - O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) pretende desenvolver um programa de avaliação do impacto da qualidade nos serviços de energia elétrica. Para isso está implantando um projeto piloto no Sul do Brasil de aproximação das indústrias, universidades e empresas de energia elétrica, para que analisem juntos quais os pontos que influenciam na queda de qualidade da energia que chega ao consumidor final.
Ontem, os representantes do ONS estiveram em Curitiba para fazer a apresentação do projeto que, se for bem sucedido, será disseminado para todo o Brasil. Para o ex-presidente da Copel João Carlos Cascaes, consultor contratado pelo ONS para desenvolver esse projeto na região Sul, o foco das empresas geradoras de energia daqui para frente deve ser o da qualidade. Para se ter idéia da importância disso, muitas empresas enfrentam pesados prejuízos por causa de interrupções no fornecimento de energia que, na maioria das vezes, os responsáveis não são identificados.
''São pequenas interrupções de energia que param toda uma linha de produção e a empresa demora a retomar a produção, depois'', disse Cascaes. Ele citou como exemplo uma fábrica de fertilizantes de Araucária que, em 1972, parou a produção por dois segundos, em decorrência de uma interrupção da energia, e depois demorou 72 horas para retomar a produção. ''Quantos prejuízos semelhantes não acontecem, sem que haja uma dimensão disso'', afirmou.
Cascaes defende a aproximação entre produtores e consumidores de energia e também as universidades, para debaterem os pontos de estrangulamento na qualidade de energia. ''Muitas vezes o defeito não está na empresa de energia elétrica e sim num sistema da indústria que precisa ser modificado.''
Outro objetivo do OMS com esse projeto é detalhar melhor quais as áreas e regiões do País onde deve ser melhorada a qualidade de energia elétrica. Citou como exemplo o Paraná. Para ele, a Copel deve investir em qualidade principalmente em locais onde se pretende intensificar o apoio à industrialização, para que as empresas não tenham prejuízos com interrupções de energia. ''O País não pode desperdiçar recursos e, por isso, o foco das empresas geradoras de energia deve ser direcionado para atender as regiões que realmente necessitam do investimento'', explicou.
No caso do Paraná, Cascaes lembrou que o Estado passou por um crescimento muito rápido e o sistema de energia rural, executado em grande escala, criou sistemas de degradação em muitos alimentadores de energia nas indústrias, o que provoca restrições de fornecimento em algumas localidades. Daí a necessidade de se fazer um levantamento detalhado sobre a infra-estrutura disponível quando se pretende instalar algum empreendimento industrial, justificou.

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