O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, admitiu ontem, que é ‘‘preocupante’’ a situação dos reservatórios que abastecem as geradoras de energia, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Santos, que esteve reunido com os diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ressaltou que ainda é cedo para falar em racionamento.
O presidente do ONS apresentou à agência um relatório sobre o nível dos reservatórios nos últimos meses. Segundo ele, o nível médio dos lagos das usinas hidrelétricas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste está em 34%. No mesmo período do ano passado esse nível era de 45%.
Santos explicou que, de acordo com o balanço do ano 2000, seriam necessários para este ano 80% da média histórica de chuvas. De acordo com o órgão responsável pelo controle do fornecimento de energia do País, até este mês a média de chuvas está em 72%. Mário Santos disse que a ONS ainda vai esperar 50 dias, quando terminará o período de chuvas, para fazer uma análise concreta da situação. ‘‘Imaginamos que os reservatórios possam estar positivos até maio’’, afirmou. ‘‘Qualquer ação, no momento, é prematura’’, ressaltou.
Santos explicou ainda que nos primeiros dez dias de março o nível das chuvas estava muito aquém do esperado. Mas que nos últimos dias houve uma melhora. O mesmo documento apresentado aos diretores da Aneel será levado por Mário Santos ao Ministério de Minas e Energia. Ele esclareceu que a reunião de ontem é de rotina e já estava programada há um mês.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou por meio de sua assessoria de imprensa que vai analisar os diferentes cenários apresentados pelo presidente do ONS. A agência admitiu que o relatório do ONS mostra que o nível dos reservatórios é preocupante, mas como ainda não terminou o período de chuvas será necessário acompanhar a evolução até o fim de abril, para se ter uma avaliação mais precisa do cenário esse ano.
O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, que reuniu-se ontem com futuro ministro de Minas e Energia, senador José Jorge, reconheceu que a quantidade de chuvas nestes últimos meses tem sido aquém da expectativa.

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