Ongs dão mais atenção a pequenos empresários
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sexta-feira, 08 de abril de 2005
Da Redação 
É inegável que a economia brasileira iniciou uma reação, mesmo que isso ainda se mostra imperceptível para a maioria das pessoas. Essa reação, no entanto, poderia ser bem mais consistente se o crédito para as micro e pequenas empresas fosse mais ágil e fácil. O pior é que não é por falta de recursos disponíveis. Lançado em junho de 2003, através de uma Medida Provisória (MP) - e que agora está sendo votada no Congresso para se transformar em lei -, o programa de microcrédito está longe de atingir seus objetivos.
Segundo a MP, 2% dos depósitos em conta corrente dos bancos teriam que ser aplicados em operações de microcrédito com juros de, no máximo, 2% ao mês. A MP limita o empréstimo para pessoa física em no máximo R$ 600,00. Acontece que para a maioria dos bancos sai mais caro emprestar o dinheiro do que deixá-lo parado no caixa. Segundo o Banco Central, de março de 2004 a fevereiro de 2005, os bancos tinham disponíveis para emprestar R$ 1,4 bilhão, mas só emprestaram R$ 600 milhões.
O presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LDR), José Ribeiro, que também é presidente da Casa do Empreendedor de Londrina, diz que a experiência mostra que o governo está equivocado ao deixar nas mãos dos bancos o dinheiro para o microcrédito. Segundo ele, é muito mais viável incentivar a criação de novas Organizações Não-governamentais (Ongs) municipais, como é a Casa do Empreendedor em Londrina e o Banco da Mulher, em Curitiba, para o oferecimento do microcrédito.
''O fato é que os bancos ainda não sabem trabalhar com o microcrédito e têm pouco interesse. A burocracia para emprestar o dinheiro desestimula o empreendedor'', afirma Ribeiro. Ele conta que há pouco tempo a Casa do Empreendedor foi procurada por um carroceiro que queria R$ 650,00 para comprar uma égua. O objetivo dele era trabalhar na coleta de lixo reciclável. Ele recebeu o empréstimo, começou a nova atividade, e pagou as parcelas em dia. Não houve qualquer problema. ''O fato é que o custo de um banco normal é muito caro para emprestar tão pouco em até 10 pagamentos com juros de 2%. Para o banco não compensa'', analisa Ribeiro. Segundo ele, dificilmente o carroceiro iria entrar num banco normal para tentar o empréstimo devido à burocracia e às exigências que são feitas. ''As pessoas mais simples têm medo de bancos'', esclarece Ribeiro.


