ONGs conseguem crédito de até R$ 10 mil
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domingo, 30 de janeiro de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Grupos de geração de renda que integram Organizações Não-governamentais (ONGs), sediadas em Londrina, recebem um novo impulso para alavancar suas atividades. Há cerca de um ano, têm acesso a crédito de até R$ 10 mil para a aquisição de máquinas e equipamentos. Até agora, 122 pessoas, ligadas a nove entidades londrinenses foram beneficiadas com os recursos, que totalizam R$ 27,6 mil. A ação é resultado de uma parceria entre a Prefeitura, Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e a Casa do Empreendedor.
A ONG Arte Cor e Brilho Artesanato, que trabalha na reciclagem de retalhos, confeccionando bolsas, tapetes, colchas, almofadas, boneca e ainda crochê, fuxico e aplicação está entre as beneficiadas. Por duas vezes, as 22 integrantes da organização conseguiram empréstimos para a compra de materiais. Hoje, elas trabalham num local improvisado na casa da coordenadora Rosângela Querino Andrade, no Jardim Alto da Boa Vista (Zona Norte), mas o próximo passo é a contrução de um salão.
Segundo Rosângela, algumas mulheres já chegaram a tirar por mês R$ 350 com o artesanato - montante que elas teriam dificuldade para conseguir como doméstica, por exemplo. ''A maioria era empregada doméstica e, atualmente, vinha encontrando dificuldades para arrumar trabalho. Através da ONG conseguimos reintegrar pessoas que não tinham mais esperanças de entrar no mercado de trabalho'', explica Rosângela.
O interessante, acrescenta a coordenadora, é que a maioria das mulheres pode trabalhar em casa. Muitas têm filhos pequenos ou já são idosas. Com o primeiro empréstimo, a ONG foi atendida em R$ 2,1 mil e, na segunda vez, obteve R$ 4,5 mil, parcelados em até 15 vezes. Os recursos foram investidos na compra de máquinas de costuras, material e aviamentos.
''Pelas taxas de juros atuais não teríamos condições de fazer empréstimos nos bancos. Para nós foi uma ótima oportunidade'', salienta a coordenadora, que tem a aprovação de Aparecida Monteiro, de 54 anos, que trabalhava como doméstica. Ela foi convidada a participar do grupo e já está na atividade há dois anos. ''No começo não sabia nem mexer numa máquina de costura, agora sei fazer bolsas, tapetes, colchas'', comenta Aparecida, que ajuda no sustento da família com o que ganha na ONG.
Entre os grupos londrinenses que já fizeram o empréstimo, a atividade que mais se destaca é a de reciclagem de lixo. Um dos exemplos de negócio bem sucedido pode ser conferido na Associação de Recicladores Reciclando o Leonor (Arle), que funciona na Zona Oeste. A ONG já conseguiu R$ 6,7 mil nos dois empréstimos que fez para comprar materiais de segurança, ampliar as instalações e adquirir uma Kombi para transportar o lixo, que antes era puxado somente por carrinhos.
'A frente do negócio, que emprega 12 pessoas, está o casal Marlene Ferreira e Braz Amaro Brandão. Impossibilitados de conseguir emprego em razão da idade - eles têm pouco mais de 40 anos -, passaram a catar papel na rua. Com eles trabalham jovens de 16 anos até gente com 65 anos, que conseguem por mês um salário de cerca de R$ 300. ''Não conseguíamos trabalho e o jeito foi ir para a rua catar papel'', conta Marlene, lembrando que o primeiro empréstimo foi para colocar a ONG na legalidade.


