ONG quer Londrina referência dos camelôs
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terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Londrina pode assumir nos próximos dois anos, em relação à região metropolitana, a posição ocupada hoje por mecas atacadistas como a Rua 25 de Março e o Brás, em São Paulo, ou a paraguaia Ciudad del Leste. É o que pretende a ONG Canaã, que administra o Camelódromo de Londrina, com o projeto ''Centro de Compras Norte do Paraná''. A proposta coloca mais lenha na fogueira em que se converteu a briga entre camelôs e a Associação Comercial de Londrina (Acil).
Em entrevista à FOLHA, o secretário-executivo da ONG Canaã, Nilsinho Gonçalves, afirmou que os camelôs estão formatando o projeto para tornar Londrina um centro de referência e convidou os vários setores e entidades do município - entre eles a Acil - para se somar a eles. ''Estamos numa região metropolitana de 3 milhões de habitantes. Queremos trazer os pequenos comerciantes dessa região para comprar aqui e revender nas suas cidades'', anunciou.
Segundo Gonçalves, a idéia é aproveitar a estrutura de comércio já existente na cidade e investir pesado em divulgação na mídia. Ele cita o próprio Camelódromo, os ''outlets'' (boxes espalhados pelas galerias recém-inauguradas) e duas distribuidoras de roupas locais como indicadoras do potencial atacadista do município. ''Ao invés de ficar batendo em nós, a Acil, o Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina), o poder público, todos têm que se unir para trazer gente pra gastar aqui. Esse pessoal não tem projeto. Vamos fazer algo para todo mundo ganhar dinheiro?'', convocou.
Pelo menos uma ação já está sendo realizada pela ONG visando transformar a cidade em centro atacadista, plano que prevê um prazo de dois anos. De acordo com Gonçalves, eles já têm contatos com importadoras para trazer mercadorias direto do exterior e baratear custos - ele não quis citar valores. ''A priori, estamos com o olho na China'', revelou. Ele disse contar ainda com a abertura do Porto Seco na cidade para ''desembaraçar as importações''.
O representante dos camelôs acredita que, com a concretização do projeto, pequenos comerciantes concentrados na região metropolitana de Londrina ''deixariam de ir para o Brás, para a 25 de Março, para Foz do Iguaçu, e viriam para cá''.


