ONG prevê redução na área de soja dos EUA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de fevereiro de 2002
Guto RochaLondrina 
Mesmo com críticas de produtores e até mesmo do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, a organização não-governamental (ONG) Focus on Sabbatical, mantém seu objetivo de agregar agricultores brasileiros em seu plano de reduzir a área cultivada com soja. Segundo Bert Bouwman, membro da ONG nos Estado Unidos, a proposta de se reduzir em 10% as lavouras brasileiras gerou polêmica porque os produtores brasileiros deixaram claro o temor de que a proposta não seja seguida por seus colegas norte-americanos. Este temor não tem fundamento, já que para a proposta surtir o efeito esperado (elevação dos preços das commodities) os produtores dos EUA terão de fazer uma redução maior que os brasileiros, afirmou ontem Bouwmam durante entrevista por telefone.
A proposta da ONG é reduzir a produção mundial de commodities (soja, milho e trigo). Se houver interesse em reduzir pelo menos 10% da área plantada, os preços desses produtos praticamente dobram, prevê Bouwman. No Brasil, os produtores que aderirem ao plano receberão US$ 165,00/hectare (R$ 396,49 pelo dólar comercial de ontem). Bouwman afirmou que nos Estados Unidos a redução da área cultivada com soja será de 40%. Segundo o membro da ONG, os recursos que serão destinados para compesar os brasileiros que aderirem ao programa virão de um fundo formado pelos produtores dos Estados Unidos.
Bouwman, que é um dos primeiros membros da Focus on Sabbatical nos Estados Unidos, disse que a organização ainda está em fase de formação. A ONG foi fundada há cerca de três anos no Canadá, pelo agricultor Ken Goudi, e hoje agrega 3,5 mil produtores canadenses e cerca de 500 nos Estados Unidos.
Segundo o membro da Focus, além do Brasil, a prosposta de se reduzir a área cultivada será apresentada à Argentina e Austrália. Mas já se estuda envolver outros países da América Latina e Europa, comentou. Mas o produtor afirmou que o corte na produção nos EUA e Canadá só será colocado em prática quando houver adesão dos produtores brasileiros. Ele disse que o Brasil tido pelo programa como principal aliado por causa do tamanha de sua produção e também pelo potencial de crescimento da área ocupada pela soja. Se a produção de soja avançar na região do Cerrado como já vem ocorrendo, os preços tendem a reduzir ainda mais, comentou.
Bouwman disse que a ONG desenvolveu esse novo conceito de controlar a produção com base em fatos históricos. A Europa já foi a grande produtora de grão do mundo, agora a América do Norte, e o Brasil segue o mesmo caminho. Mas históricamente pode-se comprovar que este crescimento foi o suicídio dos europeus e agora dos produtores americanos, afirmou.
Bowman, que é brasileiro mas vive nos Estados Unidos, onde é produtor rural, afirma que a ONG espera que o programa esteja funcionando em pelo menos quatro anos. A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) utiliza esta tática de controlar a produção para garantir seus preços. Isso deveria sevir de lição aos produtores rurais, comentou.


