Bruxelas - Ecologistas italianos estão em guerra contra o frango brasileiro e alertam seus consumidores para evitarem a carne de frango importada do Brasil, porque essas aves são ''tratadas com perigosos antibióticos''. O alarme é respaldado nas constatações recentes de resíduos de nitrofurano no frango brasileiro em testes aplicados pela União Européia (UE) quando a carga ainda está nos portos para desembarque.
''Nós queremos das autoridades européias que a legislação comunitária seja respeitada, sem derrogações'', afirma Mauro Abrizio, o representante da Legambiente, a maior organização não-governamental (ONG) da Itália, com sede em Roma e 150 mil membros em todo o país.
O nitrofurano é proibido no mercado comunitário desde 1996, por ser considerado uma substância cancerígena, de acordo com a Comissão Européia. No Brasil, o antibiótico, utilizado na prevenção de certas doenças, principalmente de caráter respiratório, era permitido em doses controladas até maio do ano passado. ''Para a Itália a questão da segurança alimentar é marco fundamental, porque faz parte da nossa identidade cultural'', diz Abrizio.
A Legambiente reconhece que o Brasil, assim como a Tailândia, que também teve problema com a Comissão por causa do nitrofurano, necessita exportar e ''não quer parar as exportações brasileiras'', explica Abrizio, mas lhe reserva o direto de defender ''a saúde de seus consumidores''.
''Defendemos que a Europa auxilie os terceiros países para que estejam conforme à legislação sanitária européia'', diz Abrizio, lembrando ainda sobre as últimas notificações comunitárias de janeiro, que seguem constatando resíduos de nitrofurano em vários lotes exportados à Europa.
Provocado sobre o fato de que as constatações foram no Reino Unido, Holanda e Alemanha, Abrizio diz que esses países funcionam como porta de entrada para a comunidade e de lá, o frango é reexportado para a Itália e outros Estados membros. Por isso, diz Abrizio: ''já advertimos os consumidores que chequem a procedência do produto, o que muitas vezes não está indicado quando é importação intra-comunidade''.
Ele diz que os industriais europeus da alimentação importam as aves brasileiras, ''porque os controles são fáceis de serem driblados, além, é claro, de custarem menos'', podendo ser encontrados a US$ 0,40 o quilo, metade do preço do frango italiano.

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