O'Neill fica bonzinho e diz que País é bom para investir
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de agosto de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O secretário de Tesouro dos EUA, Paul O'Neill, concluiu ontem a visita ao Brasil com o mesmo comportamento dos dois dias anteriores: voltou a elogiar a condução da economia, disse que o país é ''um bom lugar para investimento'', mas foi absolutamente evasivo quando indagado sobre apoio de seu governo a um pacote de ajuda financeira.
''Acredito que o FMI (Fundo Monetário Internacional) seja o instrumento para garantir o desenvolvimento econômico em todo o mundo. Sempre foi essa a visão dos EUA'', disse O'Neill, ao ser indagado, como na véspera, se o governo norte-americano havia mudado de posição sobre empréstimos a países em dificuldades. Para concluir que ''o FMI saberá reconhecer os esforços e o trabalho sério do governo Cardoso''. Apenas repetiu, com nova nuance, o que disse ontem: ''os EUA darão amplo suporte ao Brasil''. Mas ''por meio do FMI'' - sem abrir os cofres do Tesouro.
Em um discurso, depois de uma visita ao Centro de Referência e Treinamento em DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e Aids, em São Paulo, o secretário afirmou que sua viagem serviu para ''reforçar o que sabia sobre os progressos do país nos setores econômico e social''.
''O Brasil é um ótimo lugar para investimentos de empresas interessadas em promover o desenvolvimento econômico'', disse.
Em mais um aparente esforço para mostrar-se afável, elogiou a ''criatividade dos trabalhadores brasileiros e sua capacidade de se adequarem a novas situações''. Na retórica, valeu-se de exemplo próprio. Disse que, no período em que presidira a Alcoa, os empregados das unidades em Sorocaba (SP) e São Luís (Maranhão) ''eram tão eficientes quanto os dos EUA''.


