Washington - Após acumular gafes que conturbaram as relações entre o Brasil e os EUA nos últimos dois meses, o secretário do Tesouro norte-americano, Paul O'Neill, tentou ontem contornar o problema às vésperas de sua viagem ao país.

O'Neill declarou apoio dos EUA a uma possível ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) ao governo brasileiro e fez vários elogios à equipe econômica. ''Continuo a favor do apoio [financeiro] ao Brasil e a outras nações que adotem os políticas apropriadas para construir economias sólidas, sustentáveis e com crescimento'', disse, durante entrevista sobre a viagem que fará a partir do domingo ao Brasil, à Argentina e ao Uruguai.

''A equipe econômica do Brasil fez um trabalho notável ao manter políticas monetárias e fiscais saudáveis. Temos consistentemente apoiado o Brasil e estamos envolvidos com o FMI, nosso instrumento de escolha [para prestar a ajuda ao país], trabalhando com ele, por intermédio dele. Vamos continuar nossa política.'' Acostumado a dizer o que pensa, O'Neill exibia pouco conforto usando a mordaça colocada em sua boca pela Casa Branca depois de suas polêmicas declarações sobre o Brasil.

Em junho, o secretário havia dito que se opõe a um aumento do atual pacote de ajuda do FMI porque não seria brilhante ''jogar dinheiro dos contribuintes norte-americanos em cima das incertezas políticas no Brasil''. No domingo passado, afirmou que não ofereceria ajuda financeira durante sua visita à região enquanto os países não ''colocarem em prática políticas que assegurem que o dinheiro que recebem seja bem aproveitado, e não apenas saia do país para uma conta na Suíça''.

O'Neill relembrou as visitas e amizades feitas no país quando era presidente da Alcoa. ''Tenho um sentimento especial pelo Brasil, que remonta aos meus dias no setor privado.''

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