Onde os pequenos têm vez
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terça-feira, 13 de setembro de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Vender em uma grande loja ou fornecer móveis para grandes compradores é uma boa oportunidade para pequenas empresas do setor moveleiro. O Paraná é referência no setor, principalmente por causa do polo moveleiro de Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), e por isso oportunidades para grandes compradores também não faltam por aqui. Segundo dados do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), o polo moveleiro da Cidade dos Pássaros é o segundo maior do País, com 172 empresas apenas dentro do município e 979 em toda a base territorial do Sindicato. No Paraná, estima-se que haja mais de 3 mil empresas do setor, sendo que a maior parte delas é formadas por micros, pequenas e médias.
Hoje e amanhã, o Sebrae/PR realiza o Sétimo Congresso Nacional Moveleiro, em Curitiba. Durante o evento, a entidade vai promover um Encontro de Negócios Nacional entre pequenas empresas moveleiras e grandes compradores nacionais e internacionais. Mais de 40 estão inscritas. Entre as empresas âncoras confirmadas estão Meu Móvel de Madeira, Oppa Design, Inove, Designo Design, Móveis Campo Largo, Leandro Garcia, Union, Insight Arquitetura, Marko Brajovic, Luiz Maganhoto e Daniel Casagrande, Carbondale, Grupo Positivo, Copel, Total Storage e CLB Metal. Haverá espaço para empresas de modulados, móveis sustentáveis, móveis de demolição e de outros produtos diferenciados estabelecerem contato ou até fecharem negócio com compradores.
De acordo com o coordenador estadual de acesso a mercados do Sebrae/PR, Marcos Uda, há oportunidades para os micros e pequenos no fornecimento de móveis para franquias, redes de lojas, sites de e-commerce e até empresas públicas apesar de, nesse caso, o processo de seleção exigir licitação.
Flexibilidade
A flexibilidade para adaptar o seu produto às exigências do comprador é a principal vantagem das pequenas empresas, diz Uda. Para ele, há uma grande demanda no setor moveleiro por tipos de móveis bastante específicos, adaptados de acordo com padrões da loja ou do projeto. "No site Meu Móvel de Madeira, por exemplo, o tipo de móvel com que eles trabalham é muito específico, sem pintura, o máximo que tem é um verniz. É difícil encontrar empresas que possam vender para eles esse tipo de móvel."
Outra oportunidade está em vender projetos autorais de móveis com design diferenciado, que podem agregar valor maior à receita da micro e pequena empresa. "Principalmente para a pequena, ao criar um móvel com autoria de design, é possível manter a capacidade produtiva e trazer valor agregado à micro e pequena que, muitas vezes, tem dificuldade de ampliar o mercado. O que temos identificado é que, no setor moveleiro, muitas empresas não têm a intenção de aumentar a capacidade produtiva, mas querem aumentar a lucratividade."
Plínio Ferreira, gerente de vendas da Designo Design, especializada em design de móveis, conta que os grandes compradores são exigentes e "barganham bastante". A empresa, de Londrina, faz projetos de móveis para pequenas e médias empresas do setor moveleiro e os leva a grandes redes. "Tem que ter influência para chegar lá."
"Muitas vezes, as pequenas empresas não sabem nem como fazer contato com as grandes", relata Marcos Uda, do Sebrae/PR. "A rodada é justamente para aproximar essas duas partes." Para ter sucesso com os grandes compradores, o coordenador orienta as pequenas empresas a "ter os equipamentos adequados para a produção, conhecimento de produção dos móveis, sempre pensando nas variações do que pode fabricar, e flexibilidade para ajustes dos móveis". No final, o esforço vale a pena. "É um processo que vale a pena para garantir um mercado específico que não concorre com muitos e que depois gera um fluxo de compras."


