Agência Estado
De São Paulo
A Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) promove a 33ª Convenção Nacional de Supermercados, no Rio de Janeiro entre 13 e 16 deste mês, com um tema polêmico em pauta: a concentração do setor após a onda de fusões e incorporações. A entidade não acredita que a concentração exceda o patamar de 45%, padrão dos países da América Latina. E rejeita a idéia de regulamentação nessa área. ‘‘Defendemos a livre iniciativa’’, diz o presidente da entidade, José Humberto Pires de Araujo.
Somente este ano, foram registradas 19 transações de compra ou associação entre supermercados, ante as 15 do ano passado e sete de 1997. O movimento de reestruturação colocou o segmento no foco empresarial do momento. A ponto de a abertura da feira contar com a participação do presidente Fernando Henrique Cardoso, que tem presença confirmada.
As recentes aquisições e fusões entre supermercados elevou a concentração do setor a um dos maiores níveis do mercado brasileiro. Hoje, as cinco grandes empresas (Carrefour, Pão de Açúcar, Sonae, Bom Preço e Sendas, nesta ordem) detêm 40,4% do faturamento de todo o setor. Há dois anos, esta parcela não passava de 27%. A competitividade entre as redes de supermercados e os efeitos da mudança cambial farão a média de rentabilidade do setor cair para 1% este ano, segundo estimativa da Abras. No ano passado, a margem média de lucro foi de 1,5%.
Araujo acredita que a onda de aquisições já esteja chegando ao limite. ‘‘O que assusta no momento é a velocidade, maior do que se esperava’’, diz Araujo, classificando de inevitável a concentração. A redução de ritmo se dará, diz, pela falta de redes de médio porte, com faturamento anual acima de R$ 100 milhões, que são o foco principal dos grandes grupos.
A feira da Abras movimentou, no ano passado, R$ 8 bilhões em negócios. Este ano, deve repetir o bom desempenho. Serão 550 expositores, 240 deles internacionais, mostrando os últimos lançamentos de produtos, equipamentos e serviços de varejo. Durante o encontro, a Abras irá defender a autorização indiscriminada de abertura dos supermercados aos domingos o que, segundo ele, reverteria na criação de 40 mil novos postos de trabalho. Atualmente, as lojas têm de pedir licença às Prefeituras para funcionar aos domingos. Caso consigam obter a condição de atividade essencial, o procedimento será liberado.
Pela avaliação da Abras, a redução da taxa básica de juros não deverá aumentar o movimento nas lojas até o fim do ano, já que os supermercados não trabalham com venda a prazo. Por outro lado, se a cotação do dólar continuar na posição atual, próximo a R$ 2, o consumidor terá de arcar com repasses em torno de 5% nos preços de alguns produtos, especialmente os derivados de trigo (massas, biscoitos, pães) e os artigos de limpeza.
A feira da Abras é o maior evento do tipo na América Latina. São esperados 50 mil visitantes para a exposição, que vai ocupar uma área de mais de 100 mil metros quadrados. Durante o evento, será apresentado o projeto da Escola Nacional de Supermercados, para formação de mão-de-obra.

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