Em geral, as geadas registradas nas madrugadas de segunda e terça-feira tiveram intensidade moderada no Norte do Paraná. Entretanto, produtores de milho e hortaliças enfrentaram prejuízos significativos nas lavouras. Apesar de ainda não haver levantamentos oficiais sobre as perdas, relatos de agricultores comparam o cenário atual com a geada de 2000, uma das mais fortes já ocorridas no Estado.
De acordo com a meteorologista do Instituto Tecnológico Simepar em Londrina, Ângela Beatriz Costa, a cidade registrou temperaturas mínimas de 1,3º Celsius ontem. Segundo ela, as regiões mais afetadas no Paraná foram o Oeste, nas cidades de Toledo e Cascavel; Sudoeste, em Francisco Beltrão e Pato Branco, e ainda o Centro-Sul, principalmente no município de Guarapuava.
A previsão é de que a partir de hoje as temperaturas comecem a se elevar, com a mínima passando para 7ºC e a máxima atingindo 19ºC. ''Há também previsão de chuva na região Norte e no Litoral'', adianta. Ângela afirma que as chuvas devem se manter até sábado, reduzindo as chances de geada. Mas ela alerta que com o final das chuvas, as temperaturas devem voltar a cair. ''A queda deve ser acentuada e há previsão de formação de geada no Oeste do Paraná para domingo'', revela.
Segundo o chefe da Divisão de Conjuntura Agropecuária do Departamento de Economia Rural (Deral), Marcelo Garrido, com certeza houve perdas, mas ainda não é possível mensurá-las. Garrido afirma que 80% do trigo de Londrina está em fase de risco - floração e frutificação -, mas as geadas não foram tão intensas na região quanto no Oeste e Centro-Sul paranaenses. Já em relação ao milho, 100% das lavouras estão em fase de risco e, por esse motivo, os prejuízos podem ser maiores.
Milho
O agricultor Aldo Natal Hamel, de Campo Mourão, região Centro-Oeste do Estado, planta milho e trigo há mais de 30 anos e acredita que as geadas dos últimos dias foram mais rigorosas que nos anos anteriores. Segundo ele, aparentemente a lavoura de trigo não foi queimada, mas a estimativa para o milho é de prejuízo de 40%. ''As perdas se concentraram na variedade tardia que plantei no final de fevereiro'', afirma. Hamel relata que alguns produtores enfrentaram prejuízos maiores e já estão retirando o milho danificado e utilizando para alimentar o gado.
Alcides Spoladore Filho, de Londrina, afirma que teve perda quase total de sua lavoura de 80 hectares de milho, atingida pelas geadas de segunda e terça-feira. O agricultor conta que plantou o milho no final de março e que a cultura estava em fase de floração. ''Sabia que era mais arriscado plantar milho do que trigo, mas preferi arriscar porque o preço estava mais favorável'', arguenta.
Gilvane Amano, produtora de Cambé, plantou 48 hectares de milho safrinha nesta safra e avalia que as perdas podem ser de 90%. ''Talvez tenha que acionar o seguro. Plantei no final de fevereiro, dentro do zoneamento climático, mas não temos o que fazer com as intempéries'', lamenta. Gilvane ainda manteve mais de 200 hectares de trigo e salienta que arriscou pouco no milho, mesmo diante dos altos preços. ''Nós priorizamos a segurança para garantir a produção'', orienta. Segundo ela, essa situação mostra a dificuldade da atividade rural, em que é preciso cautela e planejamento.

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