O segundo semestre começou com vários aumentos de preços para o consumidor, desde os reajustes previstos pelo governo aos que estão sendo impostos pelas alterações climáticas. Da gasolina ao leite de vaca, o dia-a-dia dos brasileiros ficou mais caro. Alguns produtos, como hortaliças, chegaram a ter 200% de aumento na região de Londrina, em decorrência da geada da semana passada. O tomate subiu 80%.
Dos hortifrutigranjeiros, os únicos que mantiveram os preços ou tiveram um reajuste mais brando foram a cenoura, beterraba ou repolho. Segundo o presidente da Associação Norte Paranaense de Horticultores, João Neto do Prado Souza, o dia de hoje será um termômetro para ver como os preços vão se comportar após a nova geada que atingiu o Estado na manhã de ontem. ‘‘Os dias fortes de comercialização, na Ceasa, são terça-feira, quinta-feira e sábado. Acredito que os preços não devem aumentar mais porque estão entrando em nosso mercado produtos de outros Estados’’, comenta.
Se não é a geada, é a estiagem. Ontem, os consumidores que chegaram às padarias se surpreenderam com o novo preço do leite C, que passou de R$ 0,80 a R$ 0,90 (o litro). O setor leiteiro reclama que vinha trabalhando no vermelho há bastante tempo. Adir Salla, presidente da Cooperativa Cativa, de Londrina, diz que a estiagem que vem desde o ano passado elevou o preço do milho e soja, produtos usados na alimentação balanceada do gado leiteiro.
Além desses e outros aumentos, Salla lembra de um outro vilão que elevou os custos de produção: o combustível, usado nas propriedades para movimentar tratores e também no transporte do produto para a cidade. O resultado dessa combinação de aumentos chegou na ponta do consumo.
O combustível teve alta de 11%, em média. A grande maioria dos postos reajustou os preços já no sábado. O diretor do Sindicombustíveis de Londrina, Valter Sasso, diz que as distribuidoras ainda não acertaram seus preços e vêm trabalhando com preços entre R$ 1,32 e R$ 1,37 o litro de gasolina. ‘‘É necessário que os postos coloquem, sobre esse preço, de R$ 0,10 a R$ 0,20 para poder ter uma margem de lucro para sobreviver’’, comenta.
Mas não é só isso que os postos têm acrescentado a título de margem de lucro. A reportagem da Folha telefonou para alguns estabelecimentos em Londrina e verificou que muitos estão vendendo o litro de gasolina a R$ 1,49. Sasso acredita que os preços poderão chegar a até R$ 1,55. ‘‘O governo já estipulou a substituição tributária em R$ 1,6658 (preço sobre o qual os postos terão de pagar ICMS). O que significa que a gasolina pode ser vendida até esse preço’’, afirma.‘‘Mas não acredito que isso vá ocorrer’’, ressalta.
O gás de cozinha também foi reajustado em 18%. Para economizar, o consumidor tem que pesquisar. Em alguns locais, o botijão pode ser comprado a R$ 18,55 desde que seja direto da distribuidora. Para entrega, os preços ficam em torno de R$ 21,00.
Quem preferir deixar o carro em casa e viajar de avião, também vai ter que desembolsar mais. O preço das passagens aéreas nacionais sobem 19% hoje. Com isso, uma passagem de Londrina a São Paulo, por exemplo, passa de R$ 176 para R$ 209; de Londrina para Curitiba, o preço sobe de R$ 147 para R$ 175.
A onda de aumento também chegou aos veículos. As concessionárias já estão operando com tabelas novas. Alguns modelos não aumentaram, mas outros subiram cerca de 2%. O gerente de vendas da Marajó, Valter Luiz Costa alerta: poderá haver novos aumentos nos próximos meses. Por que? Ora, porque subiu o combustível, a energia elétrica, o aço....

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