Curitiba - A crise dos Estados Unidos provocou queda de até 58% nas ações das empresas paranaenses que são negociadas na Bolsa de Valores. O Ibovespa - que reúne as 66 ações mais negociadas na bolsa - teve queda de 24,40% entre 29 de agosto e ontem. Entre dez ações de empresas do Paraná, oito tiveram baixa maior que a do Ibovespa.
A menor queda ocorreu com a Cia. Providência que caiu 9,10%. A Positivo Informática foi a que registrou a maior queda - 58,64%. O consultor financeiro Raphael Cordeiro explicou que a Positivo foi prejudicada pela alta do dólar. A América Latina Logística (ALL) caiu 47% porque, segundo o consultor, tem uma estrutura de crédito ativa e necessidade de investimentos. Com a falta de crédito sofreu mais o impacto.
Já as ações da Copel caíram 9,10% neste período do final de agosto até ontem. Cordeiro disse que a energia elétrica é um serviço essencial, ou seja, as pessoas não deixam de consumir e, além disso, a estatal tinha ao final do primeiro semestre de 2008, uma disponibilidade de caixa de R$ 1,5 bilhão.
A Bematech teve queda de 39,58% e, segundo o consultor, não vem registrando uma boa lucratividade, o que faz as ações caírem rápido. O Paraná Banco caiu 37,13% e faz parte de um setor que está no centro da crise. Cordeiro acredita que as ações desta instituição financeira não devem cair muito mais porque o banco trabalha mais com empréstimo consignado.
As ações da GVT, empresa de telefonia, caíram 32%, da Sanepar 29,13%, da Metalgráfica Iguaçu 34% e da Cacique Café 35,78%.
O diretor da Infinity Asset Management, André Paes, acredita que a bolsa deve ter grandes oscilações nos próximos dois meses. ''No longo prazo, dentro de um ano e meio, a bolsa pode ser uma boa oportunidade'', disse. Paes aconselha quem tem ações na bolsa a não vender.
Para ele, o dólar também deve ceder no médio prazo. Hoje, o Brasil tem uma reserva de US$ 200 bilhões, o que é considerado um montante significativo. Ele disse que o leilão de contratos de swap cambial de US$ 1 bilhão, realizado ontem pelo Banco Central, não deve trazer alívio para o mercado. Esse leilão funciona como uma venda de dólares no mercado futuro. ''As pessoas precisam ter paciência e não tomar decisões precipitadas agora (em relação a bolsa e dólar)'', disse.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, prevê que, no médio prazo, o dólar possa ficar no patamar de R$ 1,70.
Já, o consultor Raphael Cordeiro, acredita que um valor justo para o dólar seria R$ 2,10, isso considerando que a variação das moedas representa a diferença de inflação entre os países. Segundo ele, hoje as empresas que têm ações em bolsa estão sendo avaliadas por valores inferiores ao que realmente valem. Raphael acredita que a bolsa teria como patamar justo 65 mil pontos mas ontem fechou em 42.100 pontos com queda de 5,4% e o dólar em R$ 2,20 com alta de 8,19%.

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