Omissão agrava problema da aftosa
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sábado, 12 de novembro de 2005
Reportagem Local 
As últimas semanas foram de agonia e prejuízos para uma boa parte dos empresários paranaenses do setor agropecuário. A suspeita de febre aftosa em propriedades rurais do estado, alardeada pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, provocou prejuízos ainda não calculados. Depois de 23 dias, o Laboratório Nacional de Apoio Agropecuário, de Belém do Pará, ainda não tem laudos conclusivos sobre assuspeitas de febre aftosa no Paraná.
Porém, mais do que o prejuízo monetário, que foi enorme, o que mais preocupa é o fato dos governos estadual e federal comprovarem sua incapacidade de ação em uma área tão importante para a economia brasileira. Num país como o Brasil, com o maior rebanho bovino mundial (170 milhões de cabeças), com o terceiro maior mercado de produção de suínos e em sexto lugar na produção de leite, a ocorrência da doença é devastadora.
''Quem vai pagar a conta?'', questiona o presidente do Sescap-LDR, José Joaquim Ribeiro, que através de sua empresa atende vários empresários do segmento agropecuário. Segundo Ribeiro, a confusão provocada pela suspeita de que algumas propriedades do Paraná estavam com animais contaminados provocou um tumulto no mercado. ''Afetou todo mundo desde o criador, o produtor de leite até o dono do açougue. Muitas empresas foram inviabilizadas. O empresário comprava a carne no final da tarde a um preço e no dia seguinte era obrigado a vender muito mais barato por causa das notícias que saíram nos jornais. Muita gente demitiu funcionários e cancelou contratos. O governo, mais uma vez, deu um tiro no pé'', argumenta Ribeiro.
Alguns economistas calculam que para cada real que não foi aplicado na defesa animal deixarão de ser arrecadados doze reais de receita fiscal. Segundo o empresário Lindomar dos Santos, o governo não fez a parte dele que era de fiscalizar a sanidade do rebanho.
Na avaliação de Ribeiro o grande problema é que o governo brasileiro carece de profissionalismo em praticamente todos os setores de sua administração. ''Quando um governo é eleito, em vez de nomear uma equipe técnica que realmente conhece a função que irá exercer, prefere ceder os cargos para apoiadores políticos. Inevitavelmente isso trás complicações.''
Segundo ele a confusão causada pelo ministro Roberto Rodrigues ainda vai trazer muitos prejuízos, principalmente de imagem. ''Houve erro na não fiscalização adequada; erro na divulgação irresponsável e erro na busca de solução. Um país que se quer mostrar sério não pode agir assim. Nossa pecuária vai levar anos para recuperar a credibilidade do mercado externo.''


