Genebra - Depois de mais de um ano de estudos econômicos e avaliação política, o Brasil finalmente irá conseguir, amanhã, que a Organização Mundial do Comércio (OMC) crie um painel (comitê de arbitragem) para julgar os subsídios dados pelos norte-americanos aos seus produtores de algodão. No mês passado, o Itamaraty levou o caso à entidade, mas os Estados Unidos bloquearam a iniciativa do Brasil. Na terça-feira, segundo as regras da OMC, o painel apenas não será criado se o próprio Itamaraty se opuser.
O Brasil alega que a ajuda da Casa Branca aos produtores de algodão chega a US$ 4 bilhões, enquanto a produção do país gera uma renda de apenas US$ 3 bilhões. Isso, na avaliação do País, acaba prejudicando a competitividade do produto brasileiro no exterior, que precisa competir com o algodão subsidiado norte-americano.
O Itamaraty ainda aponta que o custo de produção do algodão nos Estados Unidos é o mais alto do mundo e, mesmo assim, os norte-americanos conseguiram aumentar sua participação no mercado internacional nos últimos anos. Em 1998, o algodão dos EUA representava 25% do mercado mundial. Atualmente o país é o maior exportador mundial, com 38% do setor.
Para o governo brasileiro, esse aumento somente pode ser explicado pelos subsídios, já que economicamente não faz sentido o crescimento da produção ao mesmo tempo em que os custos explodiram.
Além de reclamar da competição desleal, o Brasil argumenta em sua queixa à OMC que os subsídios dos Estados Unidos estão gerando a queda na renda dos agricultores brasileiros, a deterioração da balança comercial e a diminuição dos empregos na zona rural. Para o governo, o pior é que os subsídios nos Estados Unidos continuarão gerando queda na plantação e exportação do Brasil. Segundo a Farm Bill - a lei agrícola norte-americana -, os fazendeiros continuarão a receber os subsídios até 2007.
Apesar de somente ser lançado amanhã, o painel já está movimentando a OMC. A entidade designou, na semana passada, um facilitador neutro para o conflito e que teria a função de compilar todas as informações existentes sobre os subsídios nos Estados Unidos. Além disso, organizações não-governamentais, como a Oxfam, e alguns países africanos produtores de algodão já declararam apoio ao Brasil.

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