São Paulo - O diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, disse ontem que é preciso que os EUA e a União Européia (UE) se ''movam mais'' e aumentem suas propostas de abertura no setor agrícola para destravar a Rodada Doha de negociações. Os principais negociadores envolvidos na rodada - Brasil, Índia, Austrália, UE, EUA e Japão- têm de ''voltar a se comprometer'', disse Lamy.
''O que precisamos é que os ministros se comprometam completamente com as negociações, com reduções de subsídios e de tarifas agrícolas e industriais, e além disso com os demais vagões do trem, como subsídios à pesca e com regras antidumping'', disse Lamy.
Ele destacou o clima positivo para a retomada da rodada, mas acrescentou que, mesmo que houvesse consenso entre as partes sobre as principais questões, as negociações ainda estariam de seis a oito meses da conclusão.
As ''desigualdades'' na agricultura são uma grande dificuldade e ''todos precisam se mover mais'', disse, destacando que os EUA precisam reduzir seus subsídios internos à agricultura e a UE e o Japão têm de reduzir ainda mais as tarifas sobre exportações.
Sobre a reunião de representantes de países-membros da OMC que deve acontecer em Davos (Suíça) paralelamente ao Fórum Econômico Mundial (que começa hoje), Lamy disse que não será uma sessão de negociações e não haverá novas ofertas.
Lamy lembrou ainda que, para que os EUA possam realizar mais esforços para a conclusão da rodada, é preciso que o Congresso americano aprove a renovação do ''fast track'' -mandato concedido pelo Congresso ao presidente americano, George W. Bush, para negociar acordos comerciais de forma mais rápida. Com o ''fast track'' o Congresso apenas ratifica ou recusa os acordos, sem alterar artigos.
A Rodada Doha de liberalização do comércio mundial foi suspensa em julho deste ano. Os principais países envolvidos na negociação não conseguiram chegar a um acordo com relação a tarifas e subsídios agrícolas -tema que vem emperrando o avanço nas negociações pelo menos desde 2003, após a reunião ministerial em Cancún (México), que terminou sem acordo.
As atuais negociações de liberação comercial começaram em 2001 em Doha (Qatar) e deveriam ter sido concluídas em 2004.
Lamy disse que a Rodada Doha tem um ''preço para todos'' os países envolvidos, mas o preço é pequeno se comparado tanto aos benefícios que se podem auferir com o sucesso das negociações como com os prejuízos ao comércio mundial, se fracassarem.
Ele disse ainda que deixaria aos países da OMC a tarefa de chegarem a um acordo, evitando apresentar sua própria proposta, dizendo que fazer isso seria realizar uma ''cirurgia delicada'' em um paciente muito doente. ''Agradeço a Deus que o paciente ainda não está em estágio terminal.''

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