Genebra Mesmo em plena guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, a Organização Mundial do Comércio (OMC) tenta manter sua agenda de reuniões. amanhã, os 145 países que fazem parte da entidade iniciam a fase decisiva das negociações para a liberalização dos mercados agrícolas.
Os diplomatas avaliarão se a nova proposta feita pela OMC de abertura dos mercados agrícolas poderá servir de base para as negociações. Os países, porém, terão até 31 de março para tomar uma decisão.
O Brasil será representado pelo subsecretário-geral de Comércio do Itamaraty, embaixador Clodoaldo Hugueney. O governo terá um só recado à OMC: a proposta de liberalização ainda não é ambiciosa o suficiente.
O projeto prevê o final dos subsídios às exportações apenas ao final de nove anos (período que começaria a contar a partir de 2005). Já os subsídios domésticos seriam reduzidos 60% em 5 anos.
Nos países desenvolvidos, as barreiras tarifárias aos produtos agrícolas acima de 90% seriam cortadas em torno de 60% em 5 anos. Tarifas entre 15% e 90% teriam uma redução média de 50% e as barreiras abaixo de 15% teriam cortes de 40%.
O consolo do Brasil é de que, se a proposta não atende todos os seus interesses, pelo menos estabelece um prazo fixo para a abertura dos mercados. Os europeus, porém, acusam o documento de exigir esforços desiguais por parte dos países.
Diante da falta de entendimentos entre as principais economias, muitos apontam que o prazo de 31 de março não será respeitado. Caso a OMC fracasse em encontrar um acordo, a própria data de conclusão das negociações, prevista para 2005, poderá ser modificada.

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