Genebra - A Organização Mundial do Comércio (OMC) deverá anunciar hoje, em Genebra, o resultado da disputa entre o Brasil e os Estados Unidos no setor de algodão. O contencioso, permeado de polêmicas, pressões políticas e até ameaças, está sendo considerado como um dos divisores de água na história recente da entidade máxima do comércio. Para especialistas, o resultado poderá influenciar as futuras regras agrícolas internacionais. Diplomatas brasileiros se mostram confiantes em um resultado positivo para o País, mas negociadores americanos já avisaram: somente aceitarão uma solução política para o caso, e não jurídica, como busca o Brasil na OMC.
No centro do contencioso estão os vários programas da Casa Branca para apoiar financeiramente os produtores norte-americanos de algodão. Em sua queixa, o Brasil inclui nas reclamações contra subsídios à exportação cerca de seis programas de ajuda doméstica e créditos dados pelo governo americano. Segundo o Brasil, de 1999 a 2002, os subsídios de Washington somaram US$ 12,9 bilhões. O resultado de tanto incentivo não poderia ser outro: um aumento inédito nas exportações americanas que permitiu que o país chegasse a ter 40% do mercado mundial de algodão.
Para o Brasil, esses subsídios provocaram prejuízos milionários para as exportações nacionais e uma pressão negativa nos preços internacionais do produto. Segundo o Banco Mundial, os valores do algodão do mercado mundial sofreriam um aumento de 12,7% se os subsídios dos EUA fossem retirados.

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