São Paulo - A Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu ontem que os EUA quebraram as regras do comércio internacional, ao subsidiar sua produção de algodão, reforçando a causa do Brasil contra o país, segundo o embaixador Clodoaldo Hugueney, do Itamaraty. A OMC reafirmou que a política americana de subsídios prejudica o Brasil.
A decisão pode afetar todo o volume de subsídios agrícolas no mundo, avaliado em cerca de US$ 300 bilhões anuais. ''Estamos bastante satisfeitos'', disse o embaixador brasileiro. Pela queixa apresentada à OMC o esquema norte-americano provoca um prejuízo em torno de US$ 480 milhões aos produtores brasileiros.
Ao subsidiar seus produtores, o EUA provoca queda nos preços internacionais, prejudicando outros países. O preço do algodão, só neste ano, caiu 15%. Há estudos que indicam que o fim do subsídios dos EUA faria com que os preços subissem pelo menos 12%. Com o subsídio, segundo a documentação brasileira, os EUA conseguem vender seu algodão no mercado, por exemplo, da União Européia, que, em tese, deveria ficar para outros produtores, entre eles o Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a briga do Brasil na OMC contra os subsídios agrícolas dados pelos Estados Unidos é um exemplo a ser seguido por outros países do terceiro mundo. Ele disse que a espera pela decisão final da OMC - sobre os subsídios dados pelo governo norte-americano aos produtores de algodão - pode ser comparada à final de uma Copa do Mundo de Futebol.
Durante o anúncio do plano safra ele discursou: ''É importante saber a contribuição que o Brasil está dando, não apenas aos nossos produtores internos. O País está ajudando outros países que não teriam condições de brigar na Organização Mundial do Comércio.'' Segundo ele, a briga na OMC é um exemplo de que o Brasil tem atuado de forma ''firme'' para garantir a venda cada vez maior de produtos nacionais a todos os mercados. Para Lula, a vitória na OMC irá ''repercutir'' em outros segmentos do comércio mundial.

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