OMC evita definir data para retomar negociações
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domingo, 10 de setembro de 2006
Das agências 
Rio de Janeiro - O secretário-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de as negociações da Rodada de Doha (conhecida assim após o encontro na capital do Catar, em 2001) serem retomadas antes de março de 2007. Lamy afirmou que o horizonte deverá ser essa data. A Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC), tem como tema central a liberalização do comércio de produtos agrícolas.
Para Lamy, a suspensão das negociações ocorrida em julho passado, constitui um acidente e abriu um período de reflexão. A reunião do G-20 (grupo de países em desenvolvimento) realizada durante dois dias e encerrada ontem no Rio de Janeiro faz parte desse processo, afirmou Lamy.
A disposição geral, conforme informou, é que as negociações sejam retomadas. Para ele, essa é a melhor hipótese disponível para os chamados surtos de importação. Sobre a forma como isso será feito, Lamy sugeriu que se comece do ponto onde as discussões foram interrompidas, em julho passado, na área da agricultura e de acesso a mercados.
Quanto à data de reinício das negociações, ele disse que o tempo máximo necessário para a reativação das negociações de Doha tem a ver com a autorização dada pelo Congresso norte-americano ao Executivo para a realização de acordos internacionais, cuja vigência se encerra em julho próximo e com a nova Lei Agrícola dos Estados Unidos.
Em segundo lugar, ele destacou que para reiniciar as conversas é preciso que as questões técnicas avancem junto com as questões políticas. O tema será abordado esta semana em reuniões do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional em Cingapura e do grupo de Cairns, que reúne países agrícolas, na Austrália. Também será objeto de análise pela OMC em Genebra.
Apesar dos discursos otimistas, o acordo em relação à diminuição dos subsídios agrícolas está longe de um consenso. Na semana passada, o Congresso norte-americano discutia um aumento de US$ 6 bilhões nos gastos com subsídios agrícolas. Na Europa, a Espanha teve deferido um pedido na Corte Européia para rever a decisão da União Européia de suspender os subsídios ao algodão.
Mesmo dentro do G20, há sinais de divergência entre os dois principais membros: Índia e Brasil. A Índia resiste à proposta de suspensão completa dos subsídios por entender que boa parte de sua população seria prejudicada por viver da agricultura de subsistência.


