Genebra - Com o acordo de base da Organização Mundial do Comércio (OMC) definido no último fim de semana, o Brasil se concentra agora na disputa contra os subsídios ilegais dados pela União Européia (UE) ao açúcar. Amanhã, a entidade deve anunciar o resultado da arbitragem pedida por Brasil, Austrália e Tailândia. Uma eventual vitória do bloco de países poderá obrigar os europeus a retirar seus subsídios ao açúcar. O resultado final, porém, promete levar meses para ser conhecido, já que os europeus devem recorrer se saírem derrotados.
O Brasil, juntamente com a Austrália e Tailândia, acusa os europeus de subsidiar sua produção de açúcar a um nível que provoca distorções no mercado internacional e prejuízos para a economia nacional de US$ 1,6 bilhão por ano. Os europeus garantem que seus programas estão dentro das regras da OMC.
Além disso, a UE acusa o Brasil de estar prejudicando o apoio dado pela comunidade européia aos países mais pobres. Ao lado de Bruxelas, 14 países em desenvolvimento da África, Caribe e Pacífico (grupo conhecido como ACP) contam com privilégios para exportar açúcar à Europa e temem perder esse acesso facilitado.
O Brasil afirma que o questionamento contra a UE feito na OMC não obriga que as preferências aos países pobres sejam retiradas. O que o Itamaraty argumenta é que, diante do volume de subsídios dados por Bruxelas, parte do volume de 1,6 milhão de toneladas de açúcar importado dos ACPs não consegue ser consumida no mercado europeu e acaba sendo reexportada por um preço que representa apenas 25% do custo de produção e afeta a competitividade brasileira no mercado internacional.
Segundo um estudo publicado pelo Banco Mundial, a abertura dos mercados para o açúcar poderia render ao País cerca de US$ 2,6 bilhões por ano a mais em receitas com as exportações do produto.

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