A concentração do comércio exterior do Mercosul entre os quatro países do bloco foi criticada ontem pela OMC (Organização Mundial do Comércio) durante seminário internacional promovido pelo Fórum Econômico Mundial. O economista Jeffrey Sachs, diretor do Instituto para o Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, também disparou indiretamente contra os principais sócios do Mercosul.
Sachs afirmou que as sobrevalorizações do real e do peso impedem que o Brasil e a Argentina se tornem, juntos, um grande pólo exportador. Esses fatores, segundo ele, limitam a competitividade dos produtos por encarecer seus custos de produção.
Jésus Seade, diretor-geral da OMC, afirmou que considera um erro o Mercosul, particularmente o Brasil, manter mais elevadas as suas exportações dentro do bloco que seus embarques destinados ao resto do mundo. ‘‘O principal objetivo do Mercosul deverá ser exportar mais ao resto do mundo’’, afirmou. ‘‘O Brasil quer ampliar suas exportações. Mas se isso significar vender mais ao Mercosul, será um erro’’.
De acordo com os seus dados, as exportações dentro do Mercosul aumentaram 152% no período de 92 a 97. Já os embarques globais ao resto do mundo cresceram 63% - o mesmo percentual verificado no comércio da América Latina, excluídos o México e o próprio Mercosul.
Segundo Seade, a situação não se caracteriza como desvio de comércio do Mercosul. Para ele, o que os países do bloco buscaram foi aproveitar as oportunidade de ‘‘criação de eficiências’’ nos últimos cinco anos. Em outras palavras, tenderam à especialização. Ou seja, os países passaram a priorizar a importação de produtos de seus vizinhos do Mercosul cujo processo de fabricação tinha reconhecida eficiência.
Pesquisa realizada no ano passado pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) conclui que existe tendência de complementariedade no comércio entre os quatro países.
Os dados mostram que o Brasil tende cada vez mais a se especializar na exportação de produtos manufaturados e na importação de produtos básicos no comércio com seus sócios do Mercosul. Em 96, 82% do total de produtos brasileiros exportados à Argentina, Paraguai e Uruguai era industrializado.

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