Genebra – A Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou ontem o Brasil a aplicar retaliações contra o Canadá, por conta dos prejuízos decorrentes dos subsídios canadenses concedidos à fabricante de aviões Bombardier, na disputa comercial com a Embraer.
Apesar de garantir o direito ao Brasil, a OMC decidiu também que o País deve aguardar a definição do valor da retaliação, providência que um comitê de arbitragem do organismo deve tomar em três meses.
No início do ano, a OMC condenou cinco operações de vendas de jatos da Bombardier. Segundo a entidade, as exportações foram realizadas com subsídios ilegais, prejudicando as vendas da Embraer. Segundo o Brasil, o valor dos prejuízos foi de US$ 3,36 bilhões com a venda subsidiada de 150 aeronaves da Bombardier. O montante seria agora utilizado como base para as sanções brasileiras contra o Canadá.
O problema é que Ottawa não aceita o valor indicado pelo País e pediu ontem que o tema fosse avaliado mais uma vez pela OMC. Segundo o embaixador do Canadá em Genebra, Sergio Marchi, o valor proposto pelo Brasil é ‘‘ridiculamente alto’’. Na avaliação dele, os prejuízos brasileiros chegaram, no máximo, a metade da quantia defendida pelo Brasil. ‘‘O governo brasileiro está incluindo as aeronaves que não foram entregues na soma de suas perdas’’, disse Marchi. Segundo ele, quando o Canadá pediu para retaliar o Brasil, em 2001, o valor foi de US$ 1,4 bilhão referente a 1.118 jatos vendidos pela Embraer com subsídios.
Apesar das críticas do Canadá, Henrique Rzezinski, vice-presidente de Relações Externas da Embraer, garante que o valor apresentado pelo Brasil está correto. ‘‘Esse foi o valor que poderíamos ter conseguido nas transações que não foram realizadas diante dos subsídios dados pelo Canadá a sua empresa’’, explicou.

mockup