Buenos Aires - O diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Supachai Panitchpakdi, apoiou a Argentina e o Brasil a manterem firmes suas exigências em relação à eliminação dos subsídios agrícolas mas afirmou que eles devem estar abertos e dispostos a colocar sobre a mesa de negociação de Cancún os pedidos feitos pela comunidade internacional sobre outras áreas. Panitchpakdi admitiu que para os países em desenvolvimento, como Argentina e Brasil, se não houver avanços no tema agrícola, a Rodada Doha pode fracassar.
''Necessitamos que todos os países se comprometam com a conclusão da Rodada Doha (Qatar) a tempo (final de 2004)'', apelou o diretor-geral da OMC, completando que ''todos os países-membros da OMC (146 países) devem se comprometer politicamente a cumprir com os tempos porque as discussões técnicas já se esgotaram''.
Em uma clara campanha para que a Rodada de Doha não fracasse, em função do endurecimento dos países que não querem abrir seus mercados aos produtos agrícolas brasileiros e argentinos e da posição destes países de não avançar nas questões agrícolas não são solucionadas, Panitchpakdi também fez um apelo especial aos países agroexportadores do grupo Cairns para que ''avancem em todas as frentes enquanto se desenvolvem as discussões sobre a agricultura''.
Durante seminário organizado pelo Centro de Economia Internacional (CEI), na Bolsa de Buenos Aires, o ministro de Economia, Roberto Lavagna, não deixou de dar uma resposta imediata à Panitchpakdi ao dizer que ''a Argentina tem um compromisso muito forte por meio do Grupo Cairns (assim como o Brasil, já que o Mercosul é membro do grupo), mas o desejo dos países industrializados não é mesmo que o nosso''.
Lavagna alertou que em Cancún (onde será realizada a próxima rodada de negociação da OMC, em setembro), ''corre o risco de que se avance em temas como compras governamentais, investimentos e denominações geográficas, que interessam às nações desenvolvidas, e que se estanquem as negociações sobre a agricultura''.

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