OMC alerta sobre situação da economia internacional
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segunda-feira, 07 de abril de 2003
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - Os economistas da Organização Mundial do Comércio (OMC) alertam: os exportadores brasileiros devem ficar mais preocupados com a falta de recuperação da economia internacional do que com a recente valorização do real em relação ao dólar. Em entrevista à Agência Estado, alguns dos principais pesquisadores da entidade revelam que, para que o Brasil possa garantir um aumento de suas vendas externas neste ano, a ''peça-chave'' será a recuperação da economia dos Estados Unidos (EUA) e da União Européia (UE), dois dos principais mercados de consumo dos produtos nacionais.
''Ainda não está claro qual será o futuro das economias dos Estados Unidos e dos países europeus depois da guerra no Iraque. Se essas economias crescerem, o Brasil, assim como outros países, terão a possibilidade de aumentar suas exportações pois haverá demanda. Mas se essas economias não apresentarem o desempenho que se espera, as vendas brasileiras sofrerão'', afirma um economista da OMC.
O problema é que nem a OMC nem os principais bancos centrais do mundo sabem dizer qual será a reação das principais economias no segundo semestre do ano. ''Tudo dependerá de como os mercados financeiros reagirão à guerra'', explica um analista do Banco de Compensações Internacionais (BIS).
Outro elemento que poderá influenciar a balança comercial brasileira neste ano será o preço internacional do petróleo. ''Se a guerra for de fato curta e os impactos sobre o comércio de combustível não forem substanciais, a chance é de que o Brasil consiga um superávit em seu comércio'', diz outro especialista da OMC.
De acordo com a entidade, sediada em Genebra, a competitividade das exportações brasileiras em 2003 ainda será afetada pela inflação interna no País. ''Se a inflação for alta, a competitividade do produto nacional pode sofrer perdas, mesmo com o real desvalorizado'', afirmam os pesquisadores.
Na avaliação de importadores de matérias-primas do Brasil, a valorização do real ainda não teve um impacto na competitividade internacional de produtos como o café e algodão. Para a empresa Ecom Agroindustrial, que importa café do Brasil e revende para os principais mercados, nem mesmo a guerra está afetando as vendas do produto brasileiro. ''Por enquanto, estamos mantendo nossas previsões de ter um aumento da participação do café brasileiro no mercado mundial em 2003'', diz um alto funcionário da empresa.


