Olvepar desconhece venda de créditos
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sábado, 08 de fevereiro de 2003
Rosana Félix<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A Olvepar, empresa da qual a Companhia Paranaense de Energia (Copel) teria adquirido créditos tributários para quitar uma dívida de R$ 40 milhões ao governo estadual, desconhece qualquer operação desse tipo. A revelação foi feita pelo procurador do síndico da massa falida da Olvepar, José Célio Garcia, ao grupo que investiga supostas fraudes tributárias da empresa, formado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), Secretaria de Fazenda e Ministério Público (MP) Estadual.
As operações que estão sendo investigadas ocorreram na gestão do ex-presidente da Copel Ingo Hubert, que acumulava o cargo de secretário da Fazenda durante o governo Jaime Lerner (PFL). Segundo o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, os responsáveis jurídicos pela Olvepar (que sofreu concordata em julho de 2000) informaram que não sabiam de nenhuma venda de créditos à Copel. ''Foi um golpe. A Copel pagou dinheiro a certas pessoas, que teriam vendido o crédito, mas esse crédito virou fumaça. Temos certeza agora que esse crédito nunca existiu'', afirmou.
Os supostos créditos comprados pela Copel no valor de R$ 40 milhões serviriam para pagar dívidas do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O procurador disse que há duas frentes de investigação: uma sobre a Olvepar e a segunda envolvendo negociações da Copel na compra de créditos de outras empresas. ''Hubert, enquanto presidente da Copel, requeria a ele mesmo, como secretário da Fazenda, a baixa dos créditos, que era deferida'', afirmou.
Segundo Lacerda, além de ter fraudado a compra de créditos da Olvepar, a Copel não depositou o dinheiro nos cofres públicos. A estimativa do governo atual é que operações semelhantes tenham gerado um rombo de R$ 80 milhões nos cofres estaduais. Hubert pode responder criminalmente, devido aos cargos que ocupou, se for comprovado desvio de dinheiro.
A reportagem tentou falar com Garcia, mas ele não retornou a ligação. De acordo com pessoas próximas a Hubert, ele estaria viajando até o fim do mês. A atual presidência da Copel, também procurada pela Folha, não se manifestou sobre o assunto.


