Oligopólio é ameaça aos fertilizantes
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segunda-feira, 17 de agosto de 1998
Vânia Casado 
As pequenas e médias empresas misturadoras de adubos e fertilizantes não estão suportando a concorrência das grandes empresas produtoras e importadoras de matéria-prima. Isso porque está havendo uma concentração de empresas que importam a matéria-prima para produção de nitrogenados e fosfatados e elas decidiram concorrer na ponta da comercialização com as pequenas e médias empresas.
O presidente da Associação dos Pequenos e Médios Misturadores do Paraná e Santa Catarina (Ampar), Adailton Pereira Araújo, alertou que se nada for feito, em cinco anos as 200 pequenas e médias empresas misturadoras que existem no país estarão extintas, acredita.
Importação Para evitar a concentração, dominada pelas empresas que adquiriram o controle acionário do grupo das ex-estatais Fosfértil, Goiasfértil e Ultrafértil, Araújo está propondo a criação do Sindicato Nacional dos Misturadores de Fertilizantes, que passaria a importar a matéria-prima e poderia acabar com o sistema de cotas para as empresas misturadoras.
Araújo denuncia que apenas duas grandes empresas produtoras e importadoras estão atuando na produção de matéria-prima e como elas são importadoras, têm a vantagem de importar com prazo de 390 dias para pagamento e vendem o produto com prazo de 30 dias para as pequenas e médias empresas. Como elas estão atuando também na ponta da comercialização, as pequenas e médias empresas estão sem condições de competição, explicou Araújo.
As pequenas e médias empresas não conseguem importar porque não conseguem linha de crédito no mercado para a operação, argumentou.
Domínio do mercado Segundo Araújo, quando as empresas produtoras de matéria-prima foram privatizadas, sete grandes empresas do setor adquiriram o controle acionário das empresas estatais do setor de fertilizantes. Depois esse grupo foi reduzido para seis, em seguida para cinco e agora apenas duas grandes empresas estão dominando o mercado. Por incrível que pareça, passaram a adotar o mesmo critério da época, quando as empresas eram estatais, só que de uma maneira mais dolorosa.
Isso porque, além dos acionistas terem cotas e descontos diferenciados por volume de compras, ainda competem na ponta com os pequenos e médios misturadores, que têm descontos e cotas menores, principalmente nos produtos uréia, MAP e TSP, disse Araújo.
Além da criação do Sindicato, Araújo defende uma redução ainda maior das alíquotas de importação, como forma de permitir a mesma condição para as empresas. Segundo ele, o governo já reduziu as alíquotas de 9% para 5%,mas, mesmo assim, é insuficiente, alegou. Ele estranha o fato de o governo manter alíquotas de 9% para os produtos de sulfato de amônia e o supersimples, utilizados na composição de fertilizantes para soja, cana e café.
Araújo teme que a concentração no setor possa criar problemas de atendimento às cooperativas e produtores, como a possibilidade de reter a produção para O forçar uma alta de preços.
Segundo levantamento da Associação dos Pequenos e Médios Misturadores, o Brasil produz 54% das necessidades do consumo nacional. Para ampliar a produção, teria que haver uma expansão das empresas produtoras de matéria-prima e não a concentração, como está ocorrendo.
Segundo Araújo, o mercado de fertilizantes no Brasil é atraente, mas ainda não atraiu grupos internacionais por falta de investimentos em pesquisa e localização de indústrias em pontos estratégicos do país. A agricultura brasileira consome 14 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, movimentando em torno de US$ 3 bilhões.


