O uso de óleos vegetais em motores de tratores e máquinas agrícolas não é recomendado pelos pesquisadores. Uma pesquisa do Instituto Agronômico de Campinas (SP) revela que a utilização do produto provoca problemas no motor a longo prazo. A utilização do óleo vegetal vem ocorrendo no Paraná mais frequentemente há alguns meses a partir da iniciativa dos próprios produtores rurais. O objetivo é reduzir os gastos com óleo diesel, combustível utilizado pelos veículos.
A Cooperativa Agropecuária de Maringá (Cocamar), por exemplo, já declarou que vende óleo de soja para seus associados. Inclusive, na região, o óleo vegetal está sendo usado em misturas variadas ou até puro nos motores. No estudo desenvolvido pelos pesquisadores ficou constatada a redução entre 7,1% a 10,1% na potência do motor, aumento de 13,9% a 16% no consumo específico de combustível na tomada de potência e escorrimento de óleo combustível na junta da tubulação com menos de 10 horas de funcionamento do motor.
Além disso, houve depósito de carvão nos pistões e bicos injetores, falhas no sistema de alimentação e contaminação do óleo lubrificante. Inicialmente, o teste estava programado para durar 200 horas, mas foi interrompido com menos de 60 horas devido à alta temperatura do óleo do cárter (cerca de 120ºC), que indica problemas. ''A utilização de óleo vegetal não tem respaldo técnico. A atitude é preocupante e não recomendamos o uso de óleo vegetal'', afirmou Richardson de Souza, coordenador do Programa Estadual de Bioenergia da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Vantagens - As vantagens e os aspectos econômicos com a produção e uso de biodiesel, alternativa de combustível menos poluente ao meio ambiente, foram discutidas ontem durante do 2º Seminário Regional de Biodiesel, que aconteceu na 46º Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Durante à tarde, os coordenadores do programa estadual se reuniram no Iapar para traçar orientações, procedimentos e pesquisas que devem ser desenvolvidos. O programa está sendo desenvolvido há um ano e meio e em 2005, o governo destinou cerca de R$ 2 milhões para o projeto.
Pesquisadores já classificaram oleaginosas conforme o conhecimento tecnológico de produção. Segundo o pesquisador do Iapar Ruy Yamaoka, soja e algodão tem tecnologia de plantio definida e já estão sendo plantados no Estado. Já girassol, nabo forrageiro, amendoim, canola e mamona tem tecnologia parcialmente definida porque suas produções ocorrem em menor escala, não tem zoneamento agrícola definido e não tem indicadores oficiais de defensivos apropriados. Por isso, a liberação de financiamentos é mais complicada.
São considerados grupos potenciais cártano, tungue e pinhão manso. A tecnologia de produção dessas plantas não são conhecidas e a sua produção está sendo adequada. ''O programa estadual de bioenergia vai auxiliar empreendedores no planejamento de produção, aquisição de matéria-prima, organização e orientação dos produtores'', informa Richardson de Souza. Para os agricultores, a vantagem de aderir ao programa são garantia de assistência técnica e contrato antecipado de aquisição de matéria-prima, inclusive com preço fixo.

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