Óleo de soja refinado tem alta de 10%
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quarta-feira, 19 de novembro de 1997
Guto Rocha Londrina 
Milton DóriaConsumidor sai ilesoIndústrias não vão repassar alta para o varejo: consumo pode recuar Os preços do óleo de soja refinado no Paraná registraram altas médias de 10% nos últimos 30 dias. O comportamento do mercado é considerado normal para época do ano por causa da escassez de oferta. O quadro deve se normalizar apenas na entrada da safra em meados de fevereiro.
Segundo o assistente comercial da Cocamar, de Maringá, José Cícero Aderaldo, além do problema da falta de grão, as altas do óleo de soja foram provocadas também pela quebra na produção de óleo de palma na Malásia. É que com a quebra na Malásia, o consumo é desviado para o óleo de soja.
Aderaldo diz que a indústria da Cocamar já suspendeu o esmagamento por falta de matéria-prima. As ofertas que aparecem são pequenas e não compensa ligar as máquinas para processar pouco grão, comenta. O assistente comercial da Cocamar diz que a indústria está trabalhando no refino de óleo bruto, o que deve acontecer até a entrada da próxima safra. Ele não revelou o volume de óleo bruto que a cooperativa tem em estoque. A Cocamar, segundo Aderaldo, tem uma produção mensal de 300 mil caixas com 20 frascos de 900 ml de óleo de soja.
A indústria de óleo da cooperativa Coamo também está com a moagem paralisada por falta de grãos. Segundo o superintendente comercial da Coamo, Roberto Petrauskas, as atividades da indústria estão restritas ao refino do óleo bruto.
Mas a capacidade de fabricação será mantida, afirma Petrauskas. Segundo ele, a Coamo processa diariamente 250 toneladas de óleo bruto, o que significa um produção de 430 mil caixas de óleo refinado/mês. Apesar do problema de escassez, o preço do óleo de soja foi o que menos subiu em relação a outros produtos, afirma Petrauskas.
Óleo bruto: 69,27% O preço do óleo de soja bruto posto em São Paulo segue em disparada, diante da diminuição da oferta do produto. A paralisação do mercado de farelo de soja, além de comprometer a margem das indústrias, por causa da retração nos preços, ainda cria um problema adicional que é ocupar espaços nos armazéns. Sem espaço, as indústrias não podem moer a soja que ainda têm em estoque para aumentar a oferta de óleo, pois não teriam onde colocar o farelo.
O óleo bruto posto em São Paulo atingiu, ontem, R$ 888,95/tonelada, com 12% de ICMS, segundo cotação do Agrotaxas, da Agência Estado. O preço apresenta alta de 69,27% no ano e de 23,37% no mês. O preço é praticamente o mesmo nas demais praças pesquisadas: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Brasília. Fonte da Cobal informou ontem que o governo pretende continuar deixando o mercado livre, regido pela lei da oferta e procura e não pretende participar de qualquer ação relacionada com preços.
As indústrias refinadoras reclamam, argumentando que não têm como repassar para o varejo a alta de preços. Mesmo o produto importado da Argentina tem chegado em São Paulo na mesma faixa de preços do produto oriundo do Paraná.
Farelo No farelo posto em São Paulo, os preços recuaram na semana passada, independente da redução da alíquota para o produto de outros Estados, que caiu de 12% para 8,4%. Uma grande empresa chegou a oferecer prazo de 60 dias para pagamento em São Paulo. Algumas indústrias estão procurando saída na exportação, até porque têm que desocupar os armazéns para colocar o farelo obtido da soja transgênica. O resultado é a queda dos prêmios em Paranaguá, que na sexta passada ficou em US$ 6,50/tonelada acima da cotação Chicago em novembro/dezembro, inferior aos US$ 10,00/tonelada acima da sexta-feira da semana anterior, que teve prêmio na segunda-feira a US$ 15,00/tonelada acima.


