Óleo de soja ganha espaço do grão e farelo nesta safra
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quinta-feira, 19 de março de 1998
Vânia Casado 
A demanda por óleo vegetal está em alta no mercado mundial e tudo indica que o óleo de soja será uma das grandes vedetes deste ano. O aumento da demanda já se refletiu nos preços do produto nesse início de safra. A previsão da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) é que o preço médio do óleo de soja deverá ficar em torno de US$ 600 a tonelada - uma elevação de 13% sobre o ano passado, quando o preço médio do óleo bruto ficou em US$ 530/t.
O aumento da procura por óleo vegetal revela o lado bom da crise da Ásia para os países produtores de soja, afirmou Fábio Trigueirinho, secretário executivo da Abiove. Segundo ele, com a desvalorização das moedas, os países asiáticos, grandes produtores de óleo de palma, proibiram as exportações para manter os preços no mercado interno.
Como não houve recomposição dos estoques de óleo na mesma proporção que ocorreu com grão e farelo, o produto está mais disputado no mercado externo. A Abiove estima exportar 1,32 milhão de toneladas de óleo bruto e refinado em 1998. No ano passado, foram exportadas 1,12 milhão de toneladas de óleo.
Em compensação, este ano o faturamento com as exportações de grão e farelo vai cair cerca de 14%, com a recomposição dos estoques mundiais desses produtos. No ano passado, as exportações renderam US$ 5,7 bilhões e, em 1998, deverão resultar US$ 4,9 bilhões. Apesar da queda de US$ 800 milhões no faturamento, o complexo soja deverá ser a maior receita da balança comercial brasileira, contribuindo com quase 10% do total, informou Trigueirinho.
A Abiove prevê que o faturamento com a exportação de soja em grão será 15% menor. O preço médio de US$ 294 a tonelada, que prevaleceu na safra passada, cai para US$ 250 a tonelada em 98. A queda no faturamento com farelo será mais acentuada, de 25%. O preço médio de US$ 268 a tonelada, que vigorou na safra passada, cai para US$ 200 a tonelada.
O faturamento menor com as exportações de grão e farelo não inibe a atuação das empresas de esmagamento. Segundo Trigueirinho, com a dificuldade de importar por parte dos países asiáticos, os países exportadores se voltam para a China, que está passando ao largo da crise e está se revelando um mercado superatraente, com o aumento do consumo interno.


