Oleaginosa ganha força em relação à cana
São Paulo - A soja volta a ganhar força para disputar com a cana-de-açúcar a preferência dos agricultores da região Centro-Sul, depois de duas safras em baixa. Produtores do noroeste paulista e do Triângulo Mineiro - novas fronteiras para a expansão do setor sucroalcooleiro - já reavaliam a estratégia de ceder novas áreas para formação de canaviais. No curto prazo, a disputa entre as duas culturas voltou a existir.
Dois fatores levaram os produtores a reavaliar os investimentos em cana por enquanto. O primeiro deles é a queda do preço da cana, provocada pela demanda internacional que ainda é insuficiente para absorver a superoferta de etanol. O segundo é a recuperação de preços da soja no mercado internacional. Alguns produtores admitem que vão reduzir.
''A recuperação do preço da soja me fez avaliar melhor. Não vou desistir de plantar cana, mas neste ano vou reduzir esse investimento e desviá-lo para o aumento da área de soja'', revela Marcos Cesar Brunozzi, produtor e prefeito de Pirajuba, no Triângulo Mineiro. Brunozzi tem 6,3 mil hectares de área agricultável, dos quais 4,5 mil já estão dedicados à cana. ''O assédio para converter os outros 1,8 mil hectares em canavial é enorme. Mas neste ano vou manter essa área com soja e ainda arrendar outros 500 hectares para ampliar a área de grãos'', diz.
Para o diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, a decisão de agricultores de considerar a soja mais rentável e reduzir a área com cana-de-açúcar reflete uma visão oportunista do negócio. ''Um bom analista tem de considerar a perspectiva de longo prazo'', pondera. Neste caso, o cultivo da cana se configura como uma lavoura promissora em razão das perspectivas do etanol tanto no mercado doméstico como no internacional. No mercado doméstico, por exemplo, o carro bicombustível já representa 80% das vendas de veículos novos.
Segundo o economista, outra análise equivocada é que o aumento das áreas destinadas à produção de grãos para obter energia provocaria o encarecimento nos preços dos alimentos. ''Essa é uma discussão mal colocada'', adverte. Silveira argumenta que, diante da maior procura pelos produtos, a oferta aumenta e o mercado se equilibra. (A.B. e M.C.)





