Oito em cada dez vão gastar o mesmo ou menos neste Natal
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terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Os gastos em presentes para este Natal serão iguais ou menores do que no ano passado para 86% dos consumidores, segundo pesquisa sobre o hábito de consumo dos brasileiros da consultoria Deloitte. O momento econômico incerto do País fará com que as famílias de 46% dos entrevistados tenham um fim de ano mais magro, enquanto 40% vão manter o padrão de 2013.
No ano anterior, os índices eram de 41% e 38%, respectivamente. Foram mil entrevistados em todo o Brasil, com números levemente melhores no Sul, ainda que sem motivo para euforia. Na região, o número médio de compras é de 6,7 presentes e o tíquete, de R$ 63,60, ante 6,5 e R$ 61 no Brasil.
Isso porque 64% dos consumidores veem a economia brasileira em estagnação ou declínio, conforme a Deloitte. Por outro lado, 53% acreditam que a situação financeira da família para os gastos de Natal está melhor neste ano do que em 2013. Porém, trata-se do menor índice histórico de todas as edições da pesquisa. No ano passado, a fatia era de 62%.
Sócio da Deloitte São Paulo e responsável pelo estudo, Reynaldo Saad afirma que a pesquisa, na prática, aponta para um volume de compras em 2014 igual ao do ano anterior. "Os valores dependem muito do que cada um vai comprar e a média de preços está praticamente igual", cita. Ele lembra, entretanto, que se os valores fossem atualizados pela inflação, os gastos de 2013 seriam maiores.
Saad considera que, ainda que os níveis de emprego sejam bons, houve aumento do endividamento, da inflação e de taxas de juros, o que freia a perspectiva de gastos. "O consumidor vai ter uma certa cautela, mas é emotivo e, quando chega nessa época, não deixa de comprar. Só vai ser um Natal moderado", comenta.
Para o consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, houve majoração de preços e a renda não subiu no mesmo percentual. "Se a pesquisa diz que se gastará o mesmo valor sem diminuir o número de presentes, isso indica que essas pessoas ainda não estão percebendo a inflação. Se o consumidor manteve o emprego, pode ter a percepção de que está tudo bem", diz.
Uso do 13º
Dois a cada três brasileiros não destinarão o 13º salário neste ano para compras. Dos entrevistados, 36% pretendem quitar dívidas e 31%, economizar. Somente 24,5% vão usar o dinheiro para presentes.
A tendência de presentes mais comprados em lojas físicas continuam a ser roupas e sapatos e, pela internet, aparelhos eletrônicos portáteis, livros e DVDs. A novidade deste ano é que mais pessoas desejam receber produtos relacionados a bem-estar e saúde, com destaque para o crescimento entre os dois anos dos que gostariam de ganhar melhorias para a casa (de 13% para 19%), cosméticos e perfumes (de 22% para 26%) e artigos esportivos (de 9% para 14%).
Sobre a internet, o executivo da Deloitte lembra ainda que mais de 60% usa informações da web antes de consumir, maior número da série. "Não é que a pessoa vá efetivar a compra on-line, mas vai fazer pesquisa de preços. Já é algo consolidado como hábito de consumo", lembra, ao citar que quase metade também sofre influência do que lê em mídias sociais.


