O Brasil caiu na classificação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no que se refere às condições do trabalho na América Latina e Caribe na última década. Além do nível de salário, a análise da OIT considera a estabilidade, a produtividade e o nível do emprego.
Em 1990, o Brasil estava no nível mais alto na companhia do Chile, mas vai fechar este ano um degrau abaixo, ou ‘‘médio-alto’’, ao lado da Argentina e do Panamá.
A reclassificação do Brasil consta do Panorama do Trabalho, documento divulgado anualmente pela OIT. Considerando a região como um todo, o documento destaca que as crises internacionais tiveram forte impacto nas condições do emprego.
Para este ano, o OIT estima um crescimento de 4,3% para a região que também deverá registrar o aumento do salário real, com exceção do Brasil e do Uruguai. Na região, o salário industrial deverá ter elevação de 1,2% enquanto o salário mínimo aumentará 0,5%. No Brasil, porém, a expectativa é que de uma queda do salário real porque os salários industriais deverão cair 1,5%. Mesmo assim, o Brasil ainda é considerado pela OIT como um País de alto poder aquisitivo.
Isso porque, na média, o empregado da indústria latino-americana precisa de 35 meses de trabalho para comprar um carro ‘‘modesto’’ – três meses mais que em 1995 – e no Brasil são necessários entre 10 e 20 meses de salário para adquirir este carro. De acordo com o documento da OIT, o poder aquisitivo do trabalhador latino-americano está muito aquém do dos operários de países desenvolvidos como Estados Unidos e França, por exemplo, onde quatro meses de salários são suficientes para a compra de um carro.
O operário da indústria latino-americano também trabalha mais que seus colegas de outros países. Na região a jornada chega a 1.800 horas anuais de trabalho, o que significa médias semanais entre 44 e 48 horas. No Brasil, a média é de 1.689 horas de trabalho por ano. Na Europa, a carga de trabalho é de 1.500 horas.
Em relação ao nível de desemprego, a OIT estima que a taxa da região ficará em torno dos mesmos 9% alcançados no ano passado. ‘‘Serão aproximadamente de 19 milhões de pessoas sem emprego na região’’, diz o documento.
Ao fazer uma análise específica dos dados do Brasil obtidos em 1999, o diretor-adjunto da OIT no País disse que os números constatam que ‘‘o problema de raça no Brasil tem aumentado’’. Ele assegurou que ainda há muita discriminação no emprego no que se refere à raça e ao sexo. Enquanto entre homens brancos a taxa de desemprego é de 8,3%, entre as mulheres não-brancas chega a 16,5%.

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