OIT rebaixa classificação do Brasil
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O Brasil caiu na classificação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no que se refere às condições do trabalho na América Latina e Caribe na última década. Além do nível de salário, a análise da OIT considera a estabilidade, a produtividade e o nível do emprego.
Em 1990, o Brasil estava no nível mais alto na companhia do Chile, mas vai fechar este ano um degrau abaixo, ou médio-alto, ao lado da Argentina e do Panamá.
A reclassificação do Brasil consta do Panorama do Trabalho, documento divulgado anualmente pela OIT. Considerando a região como um todo, o documento destaca que as crises internacionais tiveram forte impacto nas condições do emprego.
Para este ano, o OIT estima um crescimento de 4,3% para a região que também deverá registrar o aumento do salário real, com exceção do Brasil e do Uruguai. Na região, o salário industrial deverá ter elevação de 1,2% enquanto o salário mínimo aumentará 0,5%. No Brasil, porém, a expectativa é que de uma queda do salário real porque os salários industriais deverão cair 1,5%. Mesmo assim, o Brasil ainda é considerado pela OIT como um País de alto poder aquisitivo.
Isso porque, na média, o empregado da indústria latino-americana precisa de 35 meses de trabalho para comprar um carro modesto três meses mais que em 1995 e no Brasil são necessários entre 10 e 20 meses de salário para adquirir este carro. De acordo com o documento da OIT, o poder aquisitivo do trabalhador latino-americano está muito aquém do dos operários de países desenvolvidos como Estados Unidos e França, por exemplo, onde quatro meses de salários são suficientes para a compra de um carro.
O operário da indústria latino-americano também trabalha mais que seus colegas de outros países. Na região a jornada chega a 1.800 horas anuais de trabalho, o que significa médias semanais entre 44 e 48 horas. No Brasil, a média é de 1.689 horas de trabalho por ano. Na Europa, a carga de trabalho é de 1.500 horas.
Em relação ao nível de desemprego, a OIT estima que a taxa da região ficará em torno dos mesmos 9% alcançados no ano passado. Serão aproximadamente de 19 milhões de pessoas sem emprego na região, diz o documento.
Ao fazer uma análise específica dos dados do Brasil obtidos em 1999, o diretor-adjunto da OIT no País disse que os números constatam que o problema de raça no Brasil tem aumentado. Ele assegurou que ainda há muita discriminação no emprego no que se refere à raça e ao sexo. Enquanto entre homens brancos a taxa de desemprego é de 8,3%, entre as mulheres não-brancas chega a 16,5%.


