OIT destaca expansão do emprego nos emergentes
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segunda-feira, 03 de junho de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Enquanto a crise econômica vem gerando desemprego nos países desenvolvidos, as nações emergentes, como o Brasil, têm registrado expansão do mercado de trabalho. Esta foi uma das constatações do relatório divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) com o tema ''O Mundo do Trabalho 2013: Reparando o Tecido Econômico e Social''. Por outro lado, os países desenvolvidos estão em uma situação que pode se tornar ''preocupante'', segundo o relatório.
A OIT aponta que o Brasil teve um crescimento de 16% da classe média entre 1999 e 2010. Segundo o relatório, isso ocorreu devido ao fortalecimento do salário mínimo e do Programa Bolsa Família. Essas duas políticas, para a organização, explicam a redução da pobreza no País e o fortalecimento da economia nacional. Como desafios no Brasil, a OIT citou a redução dos postos informais de trabalho, o aumento da produtividade e dos investimentos e o crescimento dos salários acima da inflação.
''Nos países em desenvolvimento, o desafio mais importante é consolidar os recentes progressos na redução da pobreza e da desigualdade'', informa o coordenador do relatório e diretor do Instituto Internacional de Estudos de Trabalho da OIT, Raymond Torres.
O professor do curso de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, diz que o Brasil tem um resultado melhor em relação à geração de empregos porque experimentou um ciclo de crescimento bom entre 2004 e 2008. ''Agora estamos com um crescimento menor (do nível de emprego), mas continuamo crescendo'', destaca. Por outro lado, ele ressalta que os salários não estão crescendo.
Curado considera a informalidade um problema. Defende que o País invista em mão de obra com alta qualificação e produtividade, para gerar aumento de riquezas, ou seja, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
O professor concorda que o aumento do salário mínimo e o Bolsa Família ajudaram a classe média. No entanto, diz que os programas sociais não são capazes de sustentar este cenário ao longo do tempo. ''O Brasil é a sexta economia do mundo e não pode ter o crescimento de longo prazo sustentado por programas sociais, mas sim por investimentos'', salienta.
Para o economista e diretor da Pontifícia Universidade Católica (PUC/PR - Londrina), Charles Vezozzo, se o Brasil ''não misturar decisões políticas com decisões técnicas'' e for bem gerenciado, vai continuar gerando empregos.
Ele critica os programas sociais por ''darem peixe (para a população) e não ensinarem a pescar''. E diz que o governo deveria oferecer mais oportunidades de qualificação à população. Vezozzo também ressalta que o aumento dos salários acima da inflação é um indicador desenvolvimento. Ele defende que, para gerar empregos, é necessário fazer investimentos em infraestrutura. E, para a redução da informalidade, também seria necessária uma carga tributária menor.



