OIT aponta piora na qualidade do emprego
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quinta-feira, 09 de dezembro de 2004
Vânia Cristino<br> Agência Estado 
Brasília O trabalho no mundo piorou na última década. Mais da metade dos trabalhadores do planeta vivem abaixo da linha de pobreza, de acordo com dados divulgados ontem no Relatório Mundial do Emprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT). São 1,4 bilhão de pessoas dos 2,8 bilhões de trabalhadores de todos os países que sobrevivem com até US$ 2 por dia. Desses, cerca de 18%, o equivalente a 550 mil pessoas, dispõem de menos de US$ 1 para viver.
Segundo o diretor da OIT no Brasil, Armand Pereira, os dados mostram que o trabalho é insuficiente para que boa parte da população mundial tenha um nível de vida adequado. Por isso, segundo ele, é necessário mais e melhores empregos. A OIT defende o conceito de trabalho decente e a adoção, pelos países, de políticas direcionadas à melhoria da produtividade e à criação de empregos.
Uma das preocupações da entidade, segundo o diretor do órgão no Brasil, é o nível de informalidade crescente no mundo. Além de ser um fator de concorrência desleal entre as empresas, os empregos não regulares se traduzem também em baixa produtividade, com os trabalhadores gastando muitas horas de trabalho com pouco retorno.
É a baixa produtividade, por exemplo, aliada ao pequeno crescimento da economia, que vem impedindo que a América Latina e o Caribe alcancem o objetivo de reduzir pela metade a pobreza até 2015. ''A taxa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) na região é muito inferior aos 5% anuais necessários para alcançar esses objetivos'', observou Pereira. De acordo com a OIT, a taxa anual de crescimento do PIB entre 1993 e 2003 foi de 2,6% na América Latina. No oeste da Ásia essa taxa foi de 8,3%.
A saída para gerar mais e melhores empregos e, com isso, reduzir a pobreza, é, segundo a OIT, aumentar a produtividade dos trabalhadores informais e dar prioridade aos setores da economia onde o emprego, em particular dos mais pobres, está concentrado, como a agricultura e os serviços. A organização também defende que seja permitida uma maior flexibilidade às empresas, como por exemplo a diversidade de contratos sem, no entanto, esquecer que mais flexibilidade tem de ser compensada com maior proteção social aos trabalhadores.
Para o diretor da OIT, o Brasil caminha na ampliação dos programas sociais, mas é preciso continuar avançando na redução do custo e da burocracia para se criar e manter empresas e na derrubada de barreiras fiscais. Pereira observou que é positivo o desempenho do mercado de trabalho no Brasil de maio deste ano para cá, com criação de emprego, inclusive formais, e queda na taxa de desemprego. Ele disse que esse quadro positivo ainda não foi suficiente para melhorar o nível de renda, que ainda registra queda significativa.


