OIE vai analisar situação do PR e MS
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segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
A Organização Internacional de Epizootias (OIE) se reúne, em setembro, em Paris para analisar a situação sanitária do Brasil e poder conferir ao Paraná e Mato Grosso do Sul o status de área livre de febre aftosa. ''A expectativa é boa. Podemos ter um resultado positivo (na reunião)'', afirmou o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Afonso Kroetz, que participou ontem da 25 reunião ordinária do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa), na Emater, em Curitiba.
Ele acrescentou que o ministério deverá entregar à OIE um relatório atualizado sobre tudo que foi realizado em termos de sanidade nos rebanhos bovinos do PR e MS.
Kroetz esclareceu que o MS deve terminar a última sorologia no final de agosto. ''O cronograma está sendo cumprido rigorosamente pelo ministério'', disse. O presidente do Conesa e secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, disse que se o Paraná recuperar o status de área livre com vacinação poderá voltar a exportar para os países de União Européia e para Rússia, os principais compradores da carne bovina do Estado.
Os Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul ainda sofrem com o embargo de mais de 50 países para exportar a carne bovina. São Paulo tem restrições de 25 países da União Européia e, cerca de seis países, embargam as exportações do Brasil todo.
As restrições que o Rio Grande do Sul faz à carne bovina da maior parte dos Estados também foi um dos temas da reunião do Conesa ontem. O RS manteve as restrições a carne com osso do Brasil todo. Em função disso, o Sindicato da Indústria de Carne do Paraná (Sindicarne-PR) já estuda medidas judiciais para tentar derrubar a restrição. ''No campo administrativo já foi feito tudo em relação ao Rio Grande do Sul'', disse o presidente do Sindicarne, Péricles Salazar. Ele acredita que a restrição gaúcha é uma questão puramente comercial.
O economista do Sindicarne, Gustavo Fanaya, destacou que a arroba do boi no Rio Grande do Sul custa 20% mais que no Brasil todo. ''O objetivo do RS (ao impor as restrições) era esse mesmo'', explicou. Segundo ele, o valor da arroba no RS já passa de R$ 70 enquanto no Paraná é, em média, R$ 62. Ele disse que o Sindicarne pretende pressionar o Ministério da Agricultura em relação a este assunto. Kroetz afirmou que o ministério ainda confia no bom senso do RS. Ele lembrou que o RS deveria reconhecer o status da carne bovina de outros Estados dentro das condições que o ministério estabeleceu.
Fanaya destacou que há uma resolução do ministério de novembro de 2006 que declarou o Paraná como área livre de febre aftosa. No entanto, o RS só liberou a entrada de carne sem osso a partir de março deste ano e ainda manteve as restrições para carne com osso.
Durante a reunião do Conesa, Biachini também destacou que a doença do greening que atingiu a região de Altônia neste ano, está controlada porque foram tomadas todas as medidas necessárias. A doença é transmitida através de uma bactéria e tem como vetor um inseto que, ao pousar uma árvore infectada, passa para outras. Ainda foi discutido no encontro, o Suasa, um sistema que pretende unificar as inspeções municipal, estadual e federal na agroindústria. Assim, os produtos como sucos, queijos, doces e embutidos poderiam ser vendidos no Brasil todo e não só nos municípios de origem.


