OIE declara aftosa erradicada no PR
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quarta-feira, 24 de maio de 2000
Carmem Murara* Enviada a Paris 
O Paraná obteve ontem, em Paris, certificação de área livre de febre aftosa. O título, concedido pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), foi comemorado pelo grupo de agropecuaristas, autoridades e políticos paranaenses que acompanhavam com ansiedade a votação, ocorrida por volta das 16 horas (11 horas no Brasil). A certificação marca o reconhecimento de um trabalho desenvolvido há cinco anos e representa o início de uma luta para inserir a pecuária paranaense no mercado da exportação. Além do Paraná, a OIE concedeu o título para todos os Estados brasileiros que compõem o circuito centro-oeste.
As entidades ligadas ao setor agropecuário iniciam agora um trabalho para viabilizar o comércio internacional. A primeira grande barreira que o Estado terá de enfrentar é a capacitação de frigoríficos. Hoje apenas quatro frigoríficos em Londrina, Maringá, Umuarama e Paranavaí estão aptos para exportar. A maioria dos demais está mergulhada em denúncias de sonegação e má administração. A Cooperativa Agrária de Cascavel (Copavel) pretende se credenciar para exportar carne bovina e enfrentar a concorrência.
O objetivo agora é profissionalizar e capacitar os frigoríficos para que eles entrem no mercado da exportação, antecipou o secretário da Agricultura do Paraná, Antonio Poloni.
Na avaliação do secretário da Agricultura, Antonio Poloni, o título concedido pela OIE ao Paraná provocará uma mudança no perfil dos frigoríficos estaduais, inclusive com a possibilidade de entrarem grupos estrangeiros. O objetivo agora é profissionalizar e capacitar os frigoríficos para que eles entrem no mercado da exportação, afirmou. Um dos frigoríficos que demonstram interesse em investir no Paraná é o grupo italiano Unibom. Eles já pediram uma reunião com o governo paranaense para os próximos dias.
Os produtores sabem que a certificação de área livre de febre aftosa não vai fazer com que o Paraná passe a exportar carne de um dia para outro. Haverá um período de conquista de mercado, que poderá durar alguns anos. Todos os Estados do circuito centro-oeste vão aproveitar o período de dois anos, para que sejam reconhecidos como área livre da doença sem vacinação, para fechar negócios. Neste meio tempo, carnes de regiões que estão sem aftosa e não precisam vacinar ainda serão preferidas. Estão neste contexto a Argentina e em breve os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Rebanho bovino paranaense: conquista de novos mercados exigirá investimentos em qualificação e melhoramento genético
A campanha para conquistar mercado começa com o trabalho conjunto do governo do Estado e produtores. O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, prometeu ontem a abertura de um programa de exportação de carne bovina. O ministro está em Paris acompanhando a reunião da OIE. Pratini esteve anteontem na Bélgica, para discutir a questão da sanidade do rebanho bovino brasileiro, e principalmente do circuito centro-oeste.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneghetti, ressaltou que a produção com qualidade e que fará o diferencial. Temos que conscientizar os produtores que é necessário investir em qualidade, afirmou.
O presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, disse que é preciso também fazer o melhoramento genético do rebanho paranaense. Ele disse ainda que o Paraná é o maior produtor de milho e pode, desta maneira, transformar o produto em proteína e agregar valor. Milho é um insumo básico para o gado, afirmou. Hoje o Paraná tem um potencial de abate de 1,6 mil cabeças por hora e pode dobrar esta estatística em poucos anos.
O que falta agora ao Paraná é viabilizar as ações, transformando os objetivos em linhas de atuação. Temos que ter um marketing mais agressivo e garantir que nossa qualidade se transforme em ações, disse o delegado do Ministério da Agricultura no Paraná, José Roberto Borghetti. Ele reclamou do governo federal ao dizer que o Paraná é responsável por 25% da produção de grãos do País, mas não recebe o mesmo tratamento em relação a outros Estados.
A decisão da OIE abre caminho para o aumento da exportação de carne bovina do Brasil para os Estados Unidos, América Latina, Europa e Ásia. Depois de terem vendido 550 mil toneladas para o exterior em 1999, somando negócios de US$ 820 milhões, os pecuaristas brasileiros esperam fechar este ano com 650 mil toneladas, garantindo US$ 1 bilhão para a balança comercial.
O diretor-geral da OIE, Jean Blancou, anunciou uma dupla vitória da pecuária da América do Sul: cinco Estados brasileiros e o Distrito Federal, que concentram cerca de 70 milhões de cabeças de gado, metade do rebanho nacional, são agora considerados livres da febre aftosa, com necessidade de prosseguir a vacinação por dois anos. A Argentina, onde a doença está erradicada há três anos, já está oficialmente liberada da vacinação. * a repórter viajou a convite da Faep.


