São Paulo - O representante regional da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para a América Latina, Luis Osvaldo Barcos, fez ontem uma crítica às medidas que estão sendo tomadas no Brasil para impedir que o foco de febre aftosa detectado no Paraguai ultrapasse a fronteira. Em entrevista à Agência Estado, durante evento sobre defesa sanitária animal, realizado em São Paulo, Barcos disse que ''o vírus (da aftosa) não é combatido com tanque de guerra, em valas, com canhões. São aplicadas medidas sanitárias, com vacinas, com prevenção, com vigilância''.
O representante da OIE na América Latina acrescentou que, ''sem dúvida, o controle de movimentos de animais é uma regra clara para evitar uma eventual introdução da doença''. Mas acrescentou que ''a base da prevenção é a qualidade sanitária, ou seja, uma boa cobertura de vacinação, vacina de qualidade a ser aplicada. É muito melhor assim'', declarou. Além de reforçar a fiscalização nos estados que fazem fronteira com o Paraguai, o Brasil usou uma mobilização conjunta das Forças Armadas com órgãos como o Ibama e a Receita Federal para combater ilícitos na fronteira para vigiar e impedir o ingresso da doença no País.
Apesar do tom crítico, Barcos elogiou o serviço veterinário do Brasil, ressaltando a importância de uma estrutura robusta no combate às doenças dos animais, como a febre aftosa. O especialista explicou que a OIE fez uma avaliação do serviço veterinário do Brasil há três anos e que, já naquela época, o resultado foi considerado ''muito bom'', atendendo ''perfeitamente'' às normas do órgão. ''O Brasil foi o primeiro país a publicar mundialmente essa avaliação. O serviço veterinário no País tem crescido e está em muito boas condições, tem recebido investimentos tanto em recursos humanos quanto em aspectos econômicos. Esperamos que essa situação permaneça assim'', afirmou.
Ontem, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, informou que pretende conquistar para o País a condição de região livre de febre aftosa, com vacinação, em julho de 2013. Questionado sobre se o Brasil vai conseguir esse status, Barcos avaliou que essa é uma ''decisão soberana do País''. ''Se o Brasil vai propor (status livre de aftosa), tem de estar em condições. Mas a OIE só vai opinar quando receber o documento do Brasil. Não podemos comentar sobre isso hoje''.
Já com relação ao risco de uma região ter condição de livre de aftosa sem vacinação (o Estado de Santa Catarina já o tem e o ministério pretende aumentar as conversas com os Estados que querem obter esse status), o representante da OIE disse que a nomeação é o reconhecimento do controle da enfermidade, mas a decisão final é ''puramente'' do serviço veterinário. ''Se o Brasil considerar que já está pronto, pode implementar. É somente o serviço veterinário do Brasil que pode definir isso, avaliar corretamente se não há riscos'', completou.

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