São Paulo- O grupo de telefonia Oi anunciou ontem a aquisição da Brasil Telecom por R$ 5,863 bilhões, na conclusão do negócio mais aguardado pelo mercado nos últimos meses. O valor ficou acima de algumas estimativas que já circulavam pelo mercado, em torno de R$ 4,8 bilhões.
Do valor total, R$ 4,982 bilhões foram pagos para a aquisição da Invitel (dona da Solpart, que por sua vez é a controladora da Brasil Telecom Participações). Outros R$ 881 milhões serão pagos por ações de emissão da Brasil Telecom Participações em posse de alguns dos acionistas da BrT vinculados ao acordo feito entre os acionistas controladores da empresa -entre eles o Citigroup.
O negócio ainda depende de mudança na legislação do setor -já que atualmente é proibido uma empresa de telefonia fixa comprar outra de diferente área de atuação -, e de aprovação pelos órgãos reguladores. Caso o negócio não possa ser efetuado no prazo de até 240 dias, o acordo é desfeito e a Telemar paga uma multa de R$ 490 milhões, prevê o contrato.
Em comunicado ontem pela manhã, a holding Telemar Participações, que detém a operadora Oi, já havia adiantado que a conclusão e o consequente anúncio da operação poderia ocorrer ontem. Há pelo menos cinco meses circulam notícias sobre as negociações entre os executivos e advogados das duas empresas.
Todas as pendências envolvendo os sócios Citigroup e Opportunity, do empresário Daniel Dantas, que eram o último empecilho na Brasil Telecom, foram resolvidas no mês passado.
Embora a legislação atual do setor de telecomunicações possa ser outro empecilho, o governo já afirmou que mudará as regras para dar ''sinal verde'' à fusão. No início deste mês, o presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Ronaldo Sardenberg, afirmou que os estudos para mudanças em leis e regulamentos do setor também estavam ''se aproximando do seu auge''.
O ministro Hélio Costa (Comunicações) disse ontem que a compra da Brasil Telecom pela Oi tornará o Brasil mais competitivo no setor. ''É um fato importante que coloca o Brasil na vanguarda de telecomunicações, tornando o país mais competitivo no setor, principalmente nos mercados da América Latina e África'', afirmou o ministro, por meio de sua assessoria de imprensa.
Apesar de a legislação atual proibir a compra de uma empresa de telefonia por outra em região diferente, Costa já se declarava a favor da operação. Em fevereiro, o ministério enviou à Anatel documento em que pedia à agência que estudasse mudanças no PGO (Plano Geral de Outorgas) para retirar dele dois artigos que, na prática, impedem a concretização da fusão das duas empresas.
Analista.

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