Ofício do designer: vender boas idéias
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segunda-feira, 10 de novembro de 2003
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Diante de pesquisas a respeito do efeito subliminar das propagandas sobre as decisões de compra do consumidor, popularizadas pelas agências de publicidade da mais famosa marca do mundo - a Coca-Cola - fica difícil definir a importância do design na participação de um produto no mercado. Trabalhar diretamente com esse conceito, como fazem engenheiros, arquitetos e os próprios designers, é ainda mais difícil, mas as experiências de quem já o faz comprovam que aplicação e inovação garantem sucesso.
A Imaginarium, marca carioca há 12 anos no mercado, é um exemplo disso. Sua diretora de criação, Nanina Rosa, esteve em Londrina para participar de um evento promovido pela Universidade do Norte do Paraná (Unopar) e expôs para a reportagem da Folha alguns dos conceitos que fazem da marca um nome conhecido, com 64 franquias espalhadas por todo o País.
''Desenvolver presentes e artigos de decoração no Brasil é hoje muito mais fácil do que há alguns anos. A população aceita idéias novas mais rapidamente'', conta Nanina. Com base em pesquisas para identificar tendências no mundo todo e interpretá-las para o consumidor brasileiro, Nanina chefia a equipe de criação da Imaginarium, formada por mais cinco designers e três estagiários, pregando a ousadia como chave para bons negócios.
Nanina costuma dizer que a Imaginarium não vende presentes, mas sim ''boas idéias'', já que a fábrica não se limita a produzir motivos de decoração, mas tudo o que puder ser desenvolvido com criatividade. ''Por isso também produzimos trabalhos como agendas'', assim como outros produtos destinados ao consumidor jovem.
Materiais como PVC, madeira e ferro, utilizados em menor escala nesse segmento, forçam a equipe da Imaginarium a trabalhar com mais criatividade no desenvolvimento dos produtos. E segundo Nanina, essa metodologia de trabalho vem garantindo à marca um público cativo desde a sua criação, em 1991.
E para que o público que acompanhava a marca no momento de seu nascimento, Nanina conta que está em andamento um projeto para a expansão de um nome paralelo, com desenhos mais sóbrios, visando atender ao consumidor da Imaginarium de 10 anos atrás: a Substância. Apesar de ser bem mais nova (tem dois anos), a identidade é chamada por Nanina de ''irmã mais velha'', por atender à um público de mais idade. ''Foi um nicho que percebemos que poderíamos atender com desenhos mais sérios, sem ser conservadores'', explica a diretora. A nova marca já está instalada em três localidades (duas em São Paulo e outra em Florianópolis).
Nanina garante que o segmento de vendas de produtos com apelo comercial baseado em design ainda tem muito espaço para crescimento no Brasil. ''É por isso que temos confiança no sucesso da Substância'', conta. Para deslanchar no mercado, Nanina acredita que ''um bom conceito, saber o que se quer de uma marca e ter os objetivos bem definidos são essenciais para se trabalhar bem nesse setor. Normalmente o mercado molda os métodos de trabalho, mas com uma marca forte tudo fica mais fácil''.


