Curitiba - Uma fábrica de sonhos capaz de despertar emoções e abrir sorrisos em crianças e adultos. Para quem já não é mais criança, entrar na loja e olhar a vitrine é como voltar no tempo ao ver bonecas como a Barbie, a Susi, a Moranguinho na caixa original e a famosa Emília do Sítio do Pica-Pau-Amarelo. Este é o trabalho desenvolvido na oficina de brinquedos Cirandinha, em Curitiba, que realiza consertos e restaurações. Os serviços custam a partir de R$ 15 mas, geralmente, ficam na faixa de 20% a 30% do valor do brinquedo. Um jipe que estava na loja e seria todo restaurado manualmente teve o serviço orçado em R$ 350. Os consertos ficam mais caros quando envolvem peças de valores maiores.
''Os brinquedos antigos fazem parte da memória afetiva das pessoas'', disse uma das proprietárias da loja, Diana Budney. Os que têm mais solicitação para conserto são os das décadas de 70 e 80 como bonecas, máquinas de costura, Ferrorama e Autorama. ''Dá para recuperar quase tudo'', afirmou o proprietário João Marcio Budney. Os serviços mais realizados são contatos de pilhas; limpeza, roupa, parte mecânica e restauração de bonecas e acessórios para mini veículos como baterias e carregadores. As bonecas são restauradas por uma artista plástica para dar o máximo de naturalidade e originalidade possível. A loja atende o Brasil inteiro através do serviço dos Correios. ''Já atendemos cliente da Bahia'', contou ele.
''O brinquedo mais antigo que eu consertei foi um avião com 100 anos feito de metal e de fabricação japonesa. O dono tinha 90 anos. Não podia quase andar e fez questão de vir na loja'', disse Budney. O avião precisava de um reparo na parte mecânica.
''Quando as pessoas trazem o brinquedo para consertar percebemos que elas vêm com uma expectativa muito grande'', disse Budney. Ele contou que têm clientes como mulheres na faixa de 70 anos que compram bonecas para fazer companhia. ''Uma senhora pediu para que eu fizesse uma relação de nomes para batizar uma boneca'', contou Diana. Uma neta comprou a boneca Ananda - que fala e interage - para a avó de 90 anos por recomendação médica. A avó tem Mal de Alzeimer.
Diana contou ainda que um cliente trouxe os brinquedos do irmão que já tinha morrido para arrumar como uma forma de ''resgatar a memória dele''. ''Não temos só uma relação comercial com os nossos clientes. As pessoas vêm aqui na loja e contam as histórias que envolvem os brinquedos'', completou Budney. Eles já estão atendendo a segunda geração de clientes. ''Temos o cuidado de nunca mostrar a boneca sem cabeça, sem olho para que a criança não fique impressionada'', comentou Budney.
Um dos serviços que virou febre na loja são os pedidos de uniformes para bonecas iguais aos que a criança usa na escola. A loja conta com cinco funcionários e quatro terceirizados, entre eles, costureiras, uma artista plástica e técnicos.
Grande parte dos brinquedos antigos não tem peças de reposição. Por isso, muitas vezes, é necessário fazer adaptações. Para isso, a loja mantém um estoque diversificado de motores, contatos de pilha e outras peças de brinquedos antigos. ''Às vezes, um conserto não compensa comercialmente, mas a melhor propaganda é o cliente satisfeito'', disse Budney.
A loja também vende brinquedos antigos. Uma boneca Emília sai por R$ 80, uma Susi da década de 70 custa entre R$ 120 e R$ 150, a boneca Moranguinho com balanço sai por R$ 180, uma Barbie japonesa custa R$ 80 e o boneco Falcon da década de 70 sai por R$ 200.

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