As ofertas quase irresistíveis promovidas pelos sites de compras coletivas já começaram a dar dor de cabeça para alguns consumidores londrinenses. A nova opção de comércio eletrônico - que oferece descontos a partir de 50% - está fazendo com que alguns estabelecimentos que ofertam tais promoções não estejam suportando a elevada (e surpreendente) demanda de novos clientes. O resultado são consumidores insatisfeitos com os serviços e produtos adquiridos.
Até o momento, não há reclamações no Procon do município contra os principais sites de compra coletiva do Brasil. Entretanto, já é possível ver a insatisfação de milhares de clientes pelo site Reclame Aqui, no qual consumidores de todo o País expõem dificuldades na hora de consumir os produtos da promoção.
A funcionária pública Maria Aparecida Oliveira comprou um kit de banho, tosa e aplicação de antipulgas para o seu gato com valor reduzido de R$ 60 para R$ 9,90. Ela ligou no petshop e agendou um horário para o animal dentro do prazo definido no seu comprovante (voucher). No dia programado uma funcionária do estabelecimento ligou avisando que não poderiam atendê-la. ''Ela me disse que o responsável pelo serviço estava em férias e remarcou o horário para o dia 17 de janeiro, último dia de validade do meu voucher. Como um estabelecimento que está ofertando um serviço deixa um funcionário entrar em férias bem no período de uma promoção dessas? É uma irresponsabilidade'', ressalta Maria.
Outra consumidora entrevistada pela FOLHA - que preferiu não se identificar -, adquiriu o serviço de um salão de beleza que incluia escova, cauterização e corte de cabelos por R$ 52. Quando tentou agendar um horário, o dono do estabelecimento justificou dizendo que não havia contratado ''funcionários suficientes'' para realizar o serviço. ''Tive que ligar cinco dias depois para conseguir marcar um horário no salão. E o pior, o tratamento não ficou bom'', comenta ela.
Insatisfeita, ela retornou até o estabelecimento para que o tratamento fosse feito pela segunda vez. ''Tive a impressão de que não passaram produtos de qualidade no meu cabelo'', avalia.
A mesma consumidora também teve problemas num petshop de Londrina. Ela levou seu cachorro para tomar banho, fazer uma tosa higiênica e aplicar um produto antipulgas. Entretanto, um funcionário do estabelecimento disse que o serviço só poderia ser feito após uma tosa geral, que custaria mais R$ 20 à cliente. ''Acabei pagando pelo serviço, mas conseguiria melhores preços em outros lugares'', completa. Ela reclama ainda de mal atendimento em alguns locais que oferecem essas promoções de compra coletiva. ''Num restaurante, percebi que a atendente não me deu a atenção devida depois que coloquei o comprovante da promoção em cima da mesa''.
Procon
Carlos Neves Junior, coordenador do Procon de Londrina, orienta que consumidores que se sentirem lesados de alguma forma ao comprar nestes sites devem formalizar suas reclamações. ''O Código de Defesa do Consumidor vai ser aplicado da mesma forma nessas aquisições. O prejudicado deve levar os comprovantes de compra para que façamos uma apuração de cada caso''.
Neves diz ainda que não há diferença alguma se o produto está em promoção ou foi adquirido via internet, já que o consumidor é afetado da mesma forma. ''Como o site de compra coletiva está envolvido, ele também pode ser responsabilizado. Podemos notificar tanto o site quanto os estabelecimentos que estão ofertando'', finaliza o coordenador.

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