Uma pesquisa elaborada pelo site de comparação de preços Zoom mostra que 92% dos internautas entrevistados desconfiam quando se deparam com uma oferta de produto ou serviço com valor muito abaixo do praticado no mercado. O estudo ainda mostra que, quando encontram este tipo de oferta, os internautas verificam comentários de outros consumidores sobre a loja, checam se existem reclamações sobre o estabelecimento em sites como o Reclame Aqui e buscam informações sobre a credibilidade da loja, por exemplo.

Para o diretor executivo do Zoom, Thiago Flores, isto mostra um amadurecimento do consumidor da internet, que aprendeu a fazer compras on-line com segurança. "Eles estão bem mais criteriosos." Uma informação adicional da pesquisa é que três em cada quatro pessoas costumam pesquisar endereço físico, telefones, e-mails, serviços de atendimento ao consumidor e CNPJ antes de efetuar a compra pela primeira vez em uma loja virtual.

O artista visual Edvaldo Massuco Santana conta que seu pai, certa vez, viu uma oferta de um aparelho celular apresentado como um iPhone pelo preço de R$ 200 e efetuou a compra. "Fiz ele cancelar a compra na mesma hora", diz Santana, que verificou que o produto à venda se tratava de uma réplica do aparelho da Apple.

Apesar de 92% dos consumidores afirmarem que duvidam de ofertas muito tentadoras, ainda é preocupante que os outros 8% não o façam, diz a coordenadora do Procon Paraná, Cláudia Silvano. "O preocupante na pesquisa (do Zoom) é aquele que não desconfia, se deixa levar por uma oferta. Não existem milagres no mercado consumidor. Tudo tem o seu custo. A chance de ser uma arapuca é muito grande."

De acordo com a coordenadora, ofertas muito atrativas podem ser chamarizes para a prática de golpes, e o consumidor corre o risco de não receber o produto prometido e perder o dinheiro. "As chances de conseguir o dinheiro de volta são muito pequenas", alerta a coordenadora.

O delegado do Núcleo de Combate aos Cibercrimes da Polícia Civil do Paraná (Nuciber), Demetrius Gonzaga de Oliveira, afirma que a investigação, de fato, pode ser muito demorada devido a processos burocráticos de quebra de sigilo, e isto diminui as chances de localizar o criminoso. Ele explica que oferecer um produto que não é entregue ou não corresponde ao prometido pode configurar o crime de estelionato, punido com um a cinco anos de reclusão. "Quando o preço está muito baixo, há grande probabilidade de o produto ser uma falsificação ou de o consumidor não receber a compra. O estelionatário é o criminoso mais sofisticado que existe. Ele tem lábia, pode ser muito convincente."

No site de reclamações Reclame Aqui, são frequentes as queixas de consumidores que se sentiram enganados por vendedores oferecendo produtos por preços baixos, mas com valores de frete altíssimos. Também são comuns casos de golpistas que aproveitam temporadas de compras como o Black Friday, Dias das Mães ou Natal para abrirem uma loja virtual, afirma o diretor de Marketing da site, Felipe Paniago. "Colocam preços atrativos nos produtos, anunciam, vendem em grande quantidade e em seguida fecham o site."

Crimes deste tipo são muito comuns e recebidos com frequência pela Polícia Civil, diz Oliveira, do Nuciber. Para evitar cair nesse tipo de armadilha, o delegado recomenda comprar em lojas conhecidas ou com vendedores gabaritados, elogiados por outros compradores e com anos de experiência em vendas. Por precaução, ele também recomenda guardar um "dossiê" da transação com capturas das telas, e-mails e telefones do vendedor.

Para saber se o preço do produto está mesmo longe da realidade, Flores, do Zoom, sugere fazer uma consulta no site de comparação de preços. O consumidor pode ainda verificar se a loja virtual está na lista de sites não confiáveis do Procon São Paulo (disponível no site do órgão) e se possui comentários negativos na internet ou em sites como o Reclame Aqui.

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