São Paulo - Cuidado com as promoções e as ofertas imperdíveis. Elas podem levar você a um descontrole e arrombar o seu orçamento. Para o economista Gustavo Pedreira, analista financeiro na ABM Consulting, é preciso muita cautela e não atender de pronto aos chamados para esse tipo de consumo. ''As compras parceladas em até dez vezes, por exemplo, acabam prejudicando o consumidor que não se programa'', adverte Pedreira. Argumenta que os produtos a prazo confundem o cliente. ''Ele pensa, por exemplo, que uma compra em dez parcelas de R$ 50 não vai causar problemas, mas esquece de outros compromissos e emergências. Quando vê está endividado'', comenta.
Segundo o economista, a compra de celulares está entre as que mais dão dor de cabeça para o consumidor desavisado. ''Ele vê o celular parcelado e com um superdesconto. Fica entusiasmado e aí, quando chega a conta do pós-pago, se atrapalha todo e não consegue pagar'', explica.
Por isso Pedreira aconselha o consumidor a só comprar depois de se programar. ''Não pode assumir nenhum compromisso acima do seu orçamento.'' Outro alerta do analista financeiro: ''Tome cuidado para não comprar mais do que deve no cartão de crédito, que continua com os juros lá em cima.''
Pedreira informa que os juros do cheque especial estão, em média, na base de 140% ao ano. ''Então, o melhor é não usá-lo. Pesquise bem e junte dinheiro para fazer a compra que deseja. Tome cuidado com os juros embutidos em muitos produtos. Se estiver em dúvida sobre as vantagens de uma determinada compra, consulte um especialista. Não vá às cegas.''
A assistente social Mônica Oliveira Vieira Cyrillo, 42 anos, gasta o que não deve em pelo menos três áreas diferentes: utilidades domésticas, material de ginástica e cosméticos. ''Ainda por cima trabalho no Centro e dou de cara todo o instante com muitos camelôs. Não resisto e acabo levando bijuterias, que se quebram no primeiro dia de uso'', reclama.
Mônica comprou um processador de alimentos que nunca usou. ''Também comprei outras bobagens como um picador de alho e um descascador de abacaxi.'' Já gastou muito dinheiro em artigos para emagrecer, de aparelhos complicados a cremes e chás. ''Comprei até duas bicicletas, que levei para o litoral, já que não cabem no apartamento. Pergunta se ando nelas?''
Por isso ela diz ter decidido pôr um ponto final nesses gastos desnecessários. ''Agora vou à raiz do problema, vou consultar um endocrinologista'', revela, informando ainda que já encostou também muita roupa e faz um alerta: ''Nunca compre uma calça ou bermuda sem experimentar sentada. Já fiz isso e na hora de sentar descobri que a roupa não servia!''

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