Oferta reduzida impulsiona preço do leite
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quinta-feira, 29 de março de 2012
Mariana Fabre <br> <br> Reportagem Local 
O preço médio pago pelo leite ao produtor em março sofreu acréscimo de 2%, o equivalente a R$ 0,017. É o primeiro aumento registrado desde o pico de preços de setembro do ano passado. A média ponderada entre os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia foi de R$ 0,8581 por litro em março. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, apontam que esse valor representa um aumento real de 7,7% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Levantamento da Scot Consultoria mostra que o preço referente ao pagamento da produção de fevereiro subiu 1,6% no Paraná, 1,9% em Santa Catarina e 0,9% no Rio Grande do Sul, sendo consolidado em R$ 0,797, R$ 0,79 e R$ 0,79 por litro, respectivamente. A valorização é consequência da menor oferta do produto nas principais bacias leiteiras, somada ao aumento da demanda. No Sul, a produção em fevereiro já foi menor do que a de janeiro.
''O mercado ganhou força. A produção vem diminuindo desde dezembro e o consumo segue crescendo, o que causou o aumento do preço do leite'', explica Rafael Ribeiro, zootecnista da Scot Consultoria. Segundo ele, em algumas regiões do Sul do País o clima colaborou com a redução da oferta, tendo em vista que a falta de chuvas prejudicou o desenvolvimento das pastagens e das lavouras de grãos, que servem de insumo para cadeia leiteira.
Perspectiva
Ribeiro avalia que o mercado deve permanecer firme no médio prazo e que os preços ao produtor se mantenham em ascensão nos próximos quatro meses. Para o próximo mês, a estimativa é de aumento de R$ 0,02 a R$ 0,04 por litro. ''Esse é o momento em que orientamos os produtores a aproveitar os bons preços e investir em alimentação do gado para manter a produção'', indica.
O zoocnista afirma que a desvalorização do produto foi menor nesta safra do que na anterior, quando o aumento de oferta naturalmente provoca redução dos preços. ''Esse deve ser um ano bom de preços ao produtor, mesmo com os custos também elevados. A disputa no mercado consumidor está grande e mantém o produto valorizado'', argumenta Ribeiro. Pesquisa da Scot Consultoria indica que 67% das empresas consultadas no Sul do País esperam manutenção dos preços para o próximo pagamento, enquanto 11% indicam alta ao produtor.



