Oferta reduzida eleva o preço da mandioca
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terça-feira, 05 de agosto de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A falta de oferta fez o preço da mandioca em raiz disparar nos últimos 15 dias. A tonelada do produto passou de R$ 180,00 para R$ 240,00, com alta de 33%. O preço da tonelada de fécula acompanhou o aumento e ontem atingiu R$ 1,3 mil no noroeste do Estado. Há duas semanas o produto custava R$ 1 mil.
O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (Abam), João Eduardo Pasquini, revelou que a redução na oferta decorre da diminuição, em 30%, da área plantada nesta safra no Estado. O problema, segundo ele, foi agravado pela quebra na produtividade causada pela seca. O resultado é que as fecularias paranaenses produzirão 530 mil toneladas de toneladas neste ano, ante 670 mil toneladas em 2002.
A meta de aumentar a área da cultura em 30% no ano que vem está ameaçada pela falta de oferta de terras. Arrendatários em sua maioria, os produtores de raiz não encontram áreas para investir na cultura. Cleto Lanziani Janeiro, de Paranavaí, comentou que os proprietários estão pedindo até R$ 2 mil pelo alqueire, pagos à vista.
No ano passado, ele pagou R$ 600,00 pela mesma área. ''É inviável porque acaba com o capital de giro do produtor'', disse Cleto, que costumava pagar a renda com uma porcentagem da produção ao final da safra. De acordo com o produtor, o preço do arrendamento aumentou em função da concorrência com a cana de açúcar e com a soja, cuja renda por alqueire é remunerada com até 30 sacas de grão.
A instabilidade na oferta inviabiliza a concorrência entre amido de mandioca e similares de milho e trigo. ''Hoje, só estamos fornecendo para os setores que não têm como substituir a fécula de mandioca. O preço está muito alto'', comentou Pasquini.
A estabilização do mercado é esperada para março do ano que vem, quando inicia a nova safra. ''Se a oferta fosse regular poderíamos ampliar nossa participação nos mercados de papel e panificação, entre outros'', comentou. No ano passado, a indústria panificadora consumiu 200 mil toneladas de fécula.
A Abam lançou este ano o programa ''Plantio responsável da mandioca'', que pretende atingir, em 2008, a marca de dois milhões de toneladas de amido produzidas.


